Branca de Neve é um desastre anunciado

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Roberto Sadovski


O problema é que “Branca de Neve” não ajuda. A direção de Mark Webb (“O Espetacular Homem-Aranha”) é confusa, indecisa sobre que rumo tomar. A trama primeiro se apresenta como musical (daqueles irritantes, com canções ruins substituindo fluxo narrativo), inclina-se em seguida para a aventura mágica e fecha as cortinas em um final “revolucionário”, sem clímax e pouco inspirado. Acredite, Tim Burton se saiu melhor com a figura da “princesa guerreira” em seu “Alice no País das Maravilhas”.

Os anões, repaginados como criaturas mágicas, não incomodam mas também nunca dizem a que vieram. Eles sugerem ter alguma habilidade mística que jamais é usada e nenhum dos sete tem tempo de tela até para que possamos diferenciar um Soneca de um Atchim. De protagonistas no desenho clássico eles se tornam aqui figurantes digitais que não fariam falta caso removidos.

O elenco é quase por inteiro uma nulidade. Revelada por Steven Spielberg em “Amor, Sublime Amor”, Rachel Zegler é uma Branca de Neve apática, acanhada e perdida. Já Gal Gadot é campeã no quesito canastrice: em figurinos que parecem um chocalho, sua Rainha Má é uma coleção de caretas até quando assume a identidade da bruxa velha – a trama da maçã envenenada, ressalto, é breve como uma brisa.

Branca de Neve (Rachel Zegler), Jonathan (Andrew Burnap) e os anões no jardim
Branca de Neve (Rachel Zegler), Jonathan (Andrew Burnap) e os anões no jardim Imagem: Disney

Quem se salva em meio ao oceano de inexpressividade é Andrew Burnap. Ele é Jonathan, que troca a skin de príncipe pela de Robin Hood, liderando rebeldes na floresta que se insurgem contra a tirania da Rainha Má. Sua afeição por Branca de Neve, embora acelerada, parece genuína, e o personagem se mostra sagaz, charmoso e bem-humorado – tudo que o filme não é.

Usando o (mau) exemplo de “O Homem de Aço”, em que Zack Snyder jamais entendeu a engrenagem do Superman, “Branca de Neve” parece envergonhado pela simplicidade do clássico e afunda abraçado à trama batida do “reino ameaçado resgatado pela herdeira virtuosa”. Nem toda propriedade intelectual precisa ser regurgitada – mesmo que isso não seja opção em um gigante corporativo como a Disney.



Fonte UOL

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