Em áreas altamente reguladas, como consultoria normativa e assessoramento institucional, conhecimento técnico e gestão de riscos passam a valer mais do que hierarquia formal na escolha de lideranças
A presença feminina em cargos de liderança ainda revela assimetrias no mercado brasileiro. No entanto, em segmentos altamente técnicos e regulados, começa a se consolidar um movimento que vai além das estatísticas tradicionais. Em vez de políticas de diversidade ou simbolismo institucional, mulheres avançam nesses espaços por meio de uma lógica pragmática: vantagem competitiva baseada em conhecimento, método e gestão de riscos.
Esse reposicionamento é mais visível em áreas como consultoria regulatória, compliance e assessoramento institucional, onde decisões imprecisas podem resultar em sanções jurídicas, perdas financeiras e danos reputacionais. Nesse contexto, a atuação de Janicreis Gomes de Souza, CEO da Reconhece Consultoria, se insere como exemplo de um perfil de liderança que responde a um ambiente normativo cada vez mais complexo e menos tolerante à improvisação.
À frente de uma empresa especializada em consultoria educacional e regulatória, Janicreis opera em um cenário marcado por constante atualização legal e aumento da fiscalização. O que antes permitia abordagens informais passou a exigir leitura técnica rigorosa, capacidade analítica e visão institucional de longo prazo. Para organizações que buscam previsibilidade e segurança decisória, esses atributos se tornaram critérios centrais na escolha de parceiros e lideranças.
“Hoje, a técnica deixou de ser um diferencial e passou a ser um requisito mínimo. O que realmente distingue uma liderança é a forma como esse conhecimento é aplicado na tomada de decisão”, afirma Janicreis. Segundo ela, o mercado passou a demandar soluções que não se limitem ao cumprimento literal das normas, mas que considerem a sustentabilidade institucional e os impactos estratégicos das escolhas regulatórias.
Fundada sob sua liderança há cerca de oito anos, a Reconhece Consultoria consolidou sua atuação junto a profissionais e instituições que operam em ambientes regulatórios sujeitos a auditorias e controle contínuo. Em um setor historicamente marcado por informalidade e interpretações flexíveis da legislação, a empresa se posicionou a partir de critérios objetivos, metodologias estruturadas e compromisso explícito com a legalidade e a governança.

Do ponto de vista mais amplo do mercado, a ascensão de mulheres em setores técnicos sinaliza uma transformação nos próprios parâmetros de liderança corporativa. Modelos baseados exclusivamente em hierarquia e autoridade formal vêm cedendo espaço a perfis que combinam especialização profunda, capacidade de diálogo institucional e gestão estratégica de riscos.
Essa reconfiguração não elimina barreiras estruturais nem desigualdades históricas, mas indica uma mudança pragmática no ambiente empresarial. À medida que os custos de erro aumentam e a reputação passa a ser tratada como um ativo sensível, organizações tendem a privilegiar lideranças capazes de operar com precisão técnica, responsabilidade decisória e leitura institucional — independentemente de gênero.
Mais do que uma trajetória individual, o percurso de Janicreis Gomes de Souza ajuda a compreender um fenômeno mais amplo: a consolidação de mulheres em setores técnicos como resposta direta a um mercado regulatório mais exigente e a uma lógica empresarial orientada por eficiência, segurança jurídica e sustentabilidade organizacional.
Ao destacar esse movimento, a Folha Negócios aponta para uma mudança silenciosa, porém consistente, no mundo corporativo. Mulheres deixam de ocupar posições periféricas em áreas técnicas e passam a integrar, de forma estratégica, o núcleo das decisões que moldam organizações, políticas internas e a relação das empresas com o ambiente regulatório e institucional.
No ambiente corporativo contemporâneo, a liderança deixou de ser medida apenas pelo cargo ocupado e passou a ser avaliada pela capacidade de operar com precisão técnica, responsabilidade institucional e leitura estratégica dos riscos. Em setores onde o erro tem custo elevado, mulheres como Janicreis Gomes de Souza simbolizam uma transição silenciosa, porém decisiva, na forma como o mercado define autoridade, confiança e poder de decisão.
SOBRE A EXECUTIVA
Janicreis Gomes de Souza é CEO da Reconhece Consultoria, empresa especializada em consultoria educacional e regulatória. Atua há mais de oito anos em ambientes normativos complexos, assessorando profissionais e instituições n


