Caixa Glauber Rocha relembra 45 anos da morte do cineasta – 06/02/2026 – Walter Porto

0
5
Caixa Glauber Rocha relembra 45 anos da morte do cineasta - 06/02/2026 - Walter Porto

“No Brasil, o cinema tem sido uma desastrada aliança entre autores imaturos e capitalistas amadores”, escreveu Glauber Rocha aos 20 e poucos anos, ao analisar a nossa produção audiovisual até o início dos anos 1960. Foi quando o diretor baiano quebrou tudo com o seu cinema novo de baixo orçamento e alto compromisso estético e social.

A frase abre “Revisão crítica do cinema brasileiro”, primeiro de três livros de Glauber que a Cosac vai reeditar em uma caixa, com novos prefácios e 50 fotos inéditas. O volume funciona como manifesto para demolir o modelo instituído pelos estúdios Vera Cruz e para proclamar um cinema militante, de vocação revolucionária.

Nele, Glauber analisa de Humberto Mauro e Mário Peixoto a contemporâneos como Alex Viany e Nelson Pereira dos Santos. A nova edição traz apresentação da ensaísta Ivana Bentes, da UFRJ.

O segundo livro, “Revolução do Cinema Novo”, surge quando Glauber já era reconhecido internacionalmente após “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964) e “Terra em Transe” (1967). Publicado originalmente pela Embrafilme, por meio de seu então diretor de operações não-comerciais, Carlos Augusto Calil, hoje diretor da Cinemateca Brasileira.

Ele traz alguns dos textos mais importantes de Glauber, como “O processo cinema” , “O Cinema Novo” e “Tricontinental”, centrais para o pensamento glauberiano. A nova edição tem prefácio do pesquisador Adilson Mendes.

Fecha a caixa “O Século do Cinema”, em que Glauber analisa as cinematografias americana, italiana e francesa a partir de gêneros e autores como Jean Renoir e Michelangelo Antonioni, que conheceu pessoalmente.

A edição traz prefácio do jornalista Claudio Leal. Os três volumes mantêm ainda os prefácios de Ismail Xavier, professor da USP e um dos principais teóricos do cinema brasileiro, que organizadou a primeira edição pela Cosac.

“A reedição de livros de Glauber pela Cosac oferece um arco amplo de ensaios, manifestos e intervenções de choque do nosso cineasta de maior prestígio no exterior, capaz de impactar seus mestres europeus e de pavimentar o chão dos cineastas brasileiros de hoje, ao criar, sem medo de excessos, uma feição crítica e histórica para a trajetória do cinema nacional”, afirma Leal.

Os 45 anos da morte de Glauber também serão marcados pelo restauro de três filmes do período de exílio. O Fundo Cultural do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) investirá R$ 2 milhões na recuperação do longa “História do Brasil” (1974) e dos curtas “Amazonas, Amazonas” (1966) e “Di Glauber” (1977). Após a restauração, as obras circularão em festivais e integrarão a Mostra BNDES Glauber Rocha, prevista para acontecer até o final do ano na Cinemateca Brasileira, em São Paulo.

GARIMPO ILEGAL Sombras, lançamento de março da ÔZé Editora, encara um tema raro na literatura infantil: o garimpo ilegal e seus impactos socioambientais. Concebido como um poema visual a partir na técnica ancestral do teatro de sombras, o livro aposta na arte para traduzir uma realidade complexa realizada pela mesma equipe do premiado “Oikoá”: Luise Weiss, Felipe Valério, Fabio Brazil e Wanda Gomes. Um posfácio informativo fecha o livro com dados sobre a escalada do garimpo no Brasil, sobretudo na Amazônia.

GARIMPO LEGAL Pouco conhecida no Brasil, a literatura chinesa contemporânea ganhou maior visibilidade após o Nobel de Literatura concedido a Mo Yan, em 2012. Agora, o lançamento de “A nova literatura chinesa: Lume”, pelo selo Cultura Acadêmica da Fundação Editora da Unesp, busca ampliar esse horizonte. A antologia reúne textos de dez autores de diferentes gerações, entre nomes consagrados e novas vozes. O volume nasce de um projeto da revista “Renmin Wenxue” (Literatura do Povo), referência central das letras chinesas. Organizados em torno do tema da “Vida”, os textos apostam na força da narrativa breve. Em sua décima edição internacional, “Lume” oferece ao leitor brasileiro uma porta de entrada qualificada para a China literária contemporânea.


LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.



Fonte ==> Uol

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui