Gestão operacional ganha protagonismo no mercado de arte e exige profissionais com visão estratégica

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mercado de arte

O crescimento das feiras de arte, a expansão das galerias e o aumento da circulação de obras entre cidades e países têm transformado a gestão operacional em um dos pilares mais importantes do setor artístico. Em um mercado que movimenta ativos de alto valor financeiro e cultural, a execução técnica deixou de ser apenas um suporte para se tornar parte estratégica da experiência oferecida ao público e aos colecionadores.

Nos últimos anos, projetos expositivos passaram a demandar estruturas cada vez mais complexas, envolvendo logística especializada, conservação preventiva, coordenação de equipes, gestão de riscos e cumprimento rigoroso de prazos. Especialistas afirmam que a profissionalização do mercado artistico elevou a importância de líderes capazes de integrar planejamento, operação e relacionamento com artistas, galeristas e instituições culturais.

Essa mudança de cenário tem ampliado a demanda por profissionais com experiência em montagem e instalação de obras de arte, mas também com capacidade de liderança e gestão operacional. O técnico em manuseio e instalação de obras de arte Marcus Vinicius Mauri acompanha essa transformação há 12 anos, atuando em galerias, exposições institucionais, residências de colecionadores e grandes feiras nacionais.

“Hoje a montagem de uma exposição envolve muito mais do que posicionar obras no espaço. Existe planejamento logístico, análise de riscos, coordenação de equipes e alinhamento constante com artistas e curadores para garantir que o projeto seja executado exatamente como foi concebido”, afirma Marcus.

Ao longo da carreira, ele participou de eventos como SP-Arte e ArtRio, além de atuar em projetos de alta complexidade técnica. Um dos marcos de sua trajetória ocorreu durante a pandemia, no projeto Drive-Thru Art, iniciativa criada para manter o acesso à arte em um momento de forte restrição às atividades culturais.

Na ocasião, Marcus liderou a equipe responsável pela instalação dos painéis de obras e coordenou a comunicação operacional com os artistas envolvidos. O desafio exigiu tomada de decisões rápidas, adaptação a protocolos de segurança e sincronismo entre diferentes frentes de trabalho.

“A pandemia mostrou a importância de uma operação bem estruturada. Precisávamos administrar equipes sob pressão, garantir segurança e manter a qualidade técnica das instalações em um cenário de mudanças constantes”, relembra.

setor artistico

Para especialistas em gestão cultural, a experiência ilustra uma tendência crescente no setor artistico: projetos bem-sucedidos dependem cada vez mais da integração entre criatividade e eficiência operacional. Exposições, feiras e instalações contemporâneas exigem processos organizados, controle de prazos e profissionais capazes de responder rapidamente a imprevistos.

Outro aspecto que vem ganhando relevância é a relação de confiança entre técnicos, artistas e colecionadores. Obras de alto valor exigem cuidados específicos durante transporte, armazenamento e instalação, tornando a credibilidade operacional um diferencial competitivo.

Além da atuação em grandes eventos, Marcus também desenvolveu experiência em montagens para coleções privadas, onde segurança, discrição e preservação são fatores decisivos. Segundo ele, cada projeto apresenta desafios distintos e exige soluções personalizadas.

“Não existe uma fórmula única. Cada obra tem características próprias de material, peso, fragilidade e exposição. O trabalho técnico precisa ser adaptado a cada situação para preservar a integridade da peça e valorizar a apresentação”, destaca.

A evolução do setor artistico também abriu espaço para uma visão mais empresarial da operação cultural. Galerias e instituições passaram a buscar maior eficiência logística, redução de riscos e padronização de processos, aproximando a gestão de exposições de práticas utilizadas em outros setores da economia.

Nesse contexto, profissionais com experiência em coordenação de equipes, planejamento operacional e execução de projetos complexos tornaram-se peças-chave para garantir a qualidade das entregas e a sustentabilidade das operações.

Para Marcus, o principal aprendizado da carreira foi compreender que a técnica e a gestão precisam caminhar juntas.

“A excelência operacional depende tanto do conhecimento técnico quanto da capacidade de organizar pessoas, processos e prazos. Quando esses elementos funcionam em conjunto, a exposição acontece com segurança, eficiência e qualidade”, afirma.

O fortalecimento do setor artistico brasileiro indica que a demanda por profissionais com esse perfil deve continuar crescendo. Em um ambiente onde obras circulam com maior frequência e os projetos se tornam cada vez mais sofisticados, a gestão operacional deixa de atuar apenas nos bastidores e passa a ocupar um papel estratégico na valorização da arte e na construção de experiências culturais de alto nível.

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Magdiel Unglaub
Fundador e presidente, com Mestrado em Administração de Empresas e MBA pela Andrews University, Michigan (EUA). Idealizador dos projetos SIFE no Brasil, atua como consultor especializado em voluntariado corporativo, além de ser sócio da Brasil Qualifica e professor universitário na UNISA. Atualmente, ocupa também o cargo de vice-presidente de expansão internacional da American University Saint Joseph (EUA).

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