Fundador da empresa em 2010, empresário transformou a experiência em gestão tributária em uma atuação voltada ao crédito estruturado e hoje defende a aproximação entre inovação, financiamento e desenvolvimento empresarial.
“Filho, confie em todo mundo, mas vá lá ver.” A recomendação do avô Antônio acompanha Erbert Fernando desde muito antes da fundação da Confiance Brazil, em 2010. Mais do que uma lembrança familiar, a frase se transformou em um princípio de gestão para o empresário, que construiu sua trajetória profissional defendendo a importância de conhecer de perto os negócios, compreender seus desafios e avaliar a viabilidade das oportunidades antes de transformá-las em investimentos.
À frente da Confiance Brazil, Erbert atua em um segmento que ganhou relevância no debate sobre o desenvolvimento econômico brasileiro: a estruturação de projetos capazes de conectar empresas a instrumentos de financiamento, inovação e expansão. Sua trajetória acompanha a transformação de uma empresa inicialmente voltada à organização empresarial e tributária em uma operação que passou a concentrar esforços no crédito estruturado.
Quando fundou a Confiance, o objetivo era ajudar empresas a identificar e aproveitar oportunidades de crescimento. A atuação tributária abriu as primeiras portas e, segundo o empresário, contribuiu para consolidar uma carteira que chegou a ultrapassar 1.400 clientes.
Com o amadurecimento da operação, a aproximação com instituições financeiras revelou uma demanda que mudaria os rumos da empresa: muitos empresários precisavam de recursos para investir, mas não dispunham de projetos suficientemente estruturados para acessar determinadas modalidades de crédito.
Foi nesse contexto que Erbert decidiu concentrar a atuação da Confiance na estruturação financeira.
“Existe uma diferença enorme entre simplesmente buscar crédito e estruturar crédito”, afirma.
A mudança representou também uma nova maneira de compreender o papel do financiamento no ambiente empresarial. Na visão do executivo, o acesso ao capital precisa estar associado à análise da capacidade financeira, ao planejamento e à finalidade econômica de cada investimento.
Da estruturação financeira à inovação
O debate sobre o financiamento à inovação ganhou espaço no Brasil com a ampliação de instrumentos voltados à pesquisa, ao desenvolvimento tecnológico e à modernização produtiva. Para Erbert, entretanto, a existência de recursos não elimina um dos principais obstáculos enfrentados pelas empresas: a dificuldade de transformar oportunidades em projetos tecnicamente consistentes e financeiramente viáveis.
Ao longo da carreira, o empresário afirma ter encontrado empreendedores que, apesar da experiência e do conhecimento de seus próprios negócios, não se viam como potenciais beneficiários de instrumentos de financiamento e desenvolvimento.
“Minha maior conquista acontece quando vejo aquele empresário que inicialmente dizia ‘isso não é para mim’ mudar completamente de postura e começar a perguntar: ‘O que precisamos fazer para estarmos preparados?’”, relata.
Essa experiência contribuiu para consolidar a visão que hoje orienta o posicionamento da Confiance: a conexão entre ciência, capital e mercado.
Para Erbert, a inovação não deve ser compreendida como uma atividade restrita a grandes laboratórios ou corporações. Ela também pode surgir da modernização de processos industriais, do desenvolvimento de bioinsumos, da criação de novos produtos e da adoção de tecnologias capazes de ampliar a produtividade.
O desafio está em reunir conhecimento técnico, financiamento, pessoas qualificadas e demanda de mercado em torno de uma mesma iniciativa.
“Muitas vezes a ciência existe, o capital existe e o mercado existe. O que falta é construir a ponte entre os três”, explica.
O empresário vê oportunidades nessa aproximação, especialmente em setores como agronegócio, bioeconomia, saúde e transformação digital. Mas ressalta que o financiamento, isoladamente, não garante o sucesso de um projeto.
“Não adianta colocar milhões em uma empresa que não possui pessoas preparadas, governança, estratégia e conhecimento para transformar aquele recurso em desenvolvimento.”
Liderança construída pela presença
Embora sua atuação esteja ligada a instrumentos financeiros e estratégias empresariais, Erbert atribui parte importante de sua formação profissional às relações humanas.
A orientação recebida do avô se tornou, segundo ele, uma referência para decisões que envolvem visitas a empresas, análise de projetos e relacionamento com empresários e parceiros.
Em vez de compreender a liderança apenas como a capacidade de identificar oportunidades, o fundador da Confiance defende a presença direta na avaliação dos negócios e o acompanhamento das iniciativas em desenvolvimento.
“Eu acredito nas pessoas, mas acompanho. Acredito nos projetos, mas analiso. Acredito no potencial das empresas, mas verifico se existe preparação.”
Essa postura também influencia sua maneira de lidar com obstáculos. Erbert relata que, ao longo da carreira, precisou redirecionar iniciativas e buscar alternativas quando determinados projetos não encontraram condições para avançar.
A experiência reforçou uma convicção: a viabilidade de uma ideia não dispensa persistência, preparação e capacidade de adaptação.
O legado além dos números
Depois de mais de uma década à frente da Confiance, Erbert afirma que sua definição de sucesso empresarial está ligada não apenas à dimensão financeira das operações, mas também aos efeitos que projetos concretizados podem produzir na economia.
Para ele, a estruturação de crédito e o desenvolvimento de negócios encontram seu propósito quando contribuem para ampliar a capacidade produtiva das empresas e criar oportunidades de trabalho.
“Porque acredito que empresas fortes geram empregos fortes. Empregos dignos transformam famílias. Famílias com oportunidades transformam comunidades.”
A visão ajuda a explicar o posicionamento que o empresário pretende consolidar para a Confiance nos próximos anos: uma organização voltada à aproximação entre conhecimento, recursos financeiros e iniciativas com potencial de desenvolvimento.
E, ao resumir a própria trajetória, Erbert retorna à lição que recebeu na infância.
“Meu avô me ensinou a confiar e ir lá ver. A vida me ensinou a ir lá fazer.”

