Ciclista curitibano realizou a tentativa em 28 de outubro, a cerca de 4 mil metros de altitude. O resultado, alcançado durante o projeto Bike Challenger 300, aguarda homologação do Guinness World Records
O ciclista curitibano Evandro Portela atingiu 190 km/h em uma tentativa de velocidade realizada em 28 de outubro, no Salar de Uyuni, na Bolívia. A marca foi encaminhada ao Guinness World Records para análise e homologação. Segundo a equipe, o processo poderá ser concluído em até 30 dias. Até que haja confirmação oficial, o resultado deve ser apresentado como uma marca submetida à avaliação, e não como recorde homologado.
A tentativa integrou o projeto Bike Challenger 300, que tinha como objetivo alcançar 300 km/h sobre duas rodas. A operação foi realizada a aproximadamente 4 mil metros de altitude e contou com uma pista de cerca de 25 quilômetros e uma equipe de aproximadamente 20 pessoas.
Para atingir a velocidade, Portela pedalou no vácuo gerado por um carro de competição com cerca de 700 cavalos de potência. Segundo as informações fornecidas pela equipe, não havia conexão física entre o veículo e a bicicleta: o ciclista aproveitava o fluxo de ar produzido pelo carro para reduzir a resistência aerodinâmica.
“Era um objetivo extremamente difícil, especialmente diante das condições encontradas no deserto de sal. Embora não tenhamos alcançado a velocidade projetada, os 190 km/h superam com ampla margem qualquer velocidade já registrada por ciclistas no local. Até então, ninguém havia ultrapassado os 70 km/h”, explicou Portela.

Altitude e desafios mecânicos
A altitude foi um dos principais obstáculos da expedição. A cerca de 4 mil metros, a menor pressão atmosférica reduz a disponibilidade de oxigênio, o que pode impor limitações ao desempenho físico do atleta. As condições também exigiram adaptações no funcionamento do conjunto utilizado na tentativa.
A marca foi alcançada na terceira tentativa. Nos treinos anteriores, Portela chegou a 135 km/h e, depois, a 160 km/h, antes de atingir os 190 km/h. Segundo a equipe, em condições semelhantes às de Curitiba, praticamente ao nível do mar, o equipamento utilizado na Bolívia poderia chegar a aproximadamente 230 km/h.
A operação também enfrentou contratempos mecânicos. Na véspera da tentativa, o carro de apoio apresentou uma falha na bomba de combustível, que precisou ser substituída. A equipe trabalhou durante a madrugada para recuperar o veículo e manter o projeto em andamento. Mesmo após a tentativa, o carro voltou a apresentar problemas.
A logística da expedição também exigiu planejamento: foram cinco dias de viagem para transportar equipamentos e a estrutura necessária até o Salar de Uyuni. Ao longo do percurso, a equipe enfrentou condições difíceis e teve oito pneus estourados, segundo o relato fornecido.

Da BR-277 ao deserto de sal
A tentativa na Bolívia dá sequência à busca de Portela por novos desafios de velocidade. Em uma experiência anterior, realizada em uma rodovia de Curitiba, ele atingiu 202 km/h pedalando em uma bicicleta convencional com rodas aro 700. A marca ganhou repercussão na imprensa brasileira e internacional.
“Quando atingimos os 202 km/h em rodovia pública, foi uma espécie de teste, pois eu estava em uma bicicleta padrão, com rodas aro 700. Chegamos ao limite, mas sempre tive o objetivo de chegar ao deserto de sal, onde os maiores nomes da velocidade testam suas máquinas. Então decidi me desafiar”, contou.
Para Portela, a experiência na rodovia serviu como preparação para a tentativa em um ambiente que impunha outros desafios. No Salar de Uyuni, além da altitude e das condições do terreno, a equipe precisou transportar equipamentos e preparar uma operação de grande porte para viabilizar a tentativa.
Uma trajetória construída no ciclismo
Evandro Portela tem décadas de experiência no ciclismo. Durante a carreira, integrou a equipe da Caloi nos anos 1990 e competiu também por equipes como Specialized Santo André, Suzano e Dataro Blumenau. Segundo o material fornecido, permaneceu por dez anos entre os cinco primeiros colocados do ranking nacional e conquistou títulos e resultados em provas importantes no Brasil e na Europa.

Antes de se dedicar aos desafios de velocidade extrema, Portela construiu uma carreira de 16 anos no ciclismo de estrada, entre 1990 e 2006. Seu currículo inclui participações em competições internacionais e resultados em provas nacionais, como títulos na Volta de Santa Catarina e na Volta do Litoral Paranaense.
A marca de 190 km/h no Salar de Uyuni representa um novo capítulo nessa trajetória. Embora não tenha alcançado a meta de 300 km/h, Portela chegou a uma velocidade inédita no local, segundo a equipe, e agora aguarda a análise do Guinness World Records para saber se o resultado será oficialmente homologado.
*Crédito das imagens: Piah do drone


