Mais precisão cirúrgica, menos dor e recuperação acelerada colocam a tecnologia como aliada central da medicina ginecológica moderna
São Paulo, janeiro de 2026 – A cirurgia robótica tem redefinido os padrões da ginecologia moderna ao combinar tecnologia de alta precisão com técnicas minimamente invasivas. Cada vez mais presente em centros de referência, essa modalidade cirúrgica vem se consolidando como uma alternativa segura e eficaz tanto para cirurgias ginecológicas benignas quanto oncológicas, promovendo benefícios diretos não apenas para os cirurgiões, mas principalmente para as pacientes.
Segundo a médica ginecologista Dra. Tainá Vieira Nilson, a cirurgia robótica é, antes de tudo, uma evolução da cirurgia minimamente invasiva. “Quando falamos em mínima invasão na ginecologia, estamos falando de abordagens que utilizam pequenas incisões, como a laparoscopia e a cirurgia robótica, ou acessos naturais, como a cirurgia vaginal. A robótica surge como uma ferramenta de alta complexidade que amplia as possibilidades dessas técnicas”, explica.
Diferentemente da cirurgia tradicional aberta, que exige grandes incisões e está associada a maior sangramento, dor e tempo de recuperação, a cirurgia robótica é realizada por meio de pequenas incisões abdominais. O procedimento envolve três componentes principais: o console, onde o cirurgião opera; o sistema computacional, que processa os movimentos; e os braços robóticos posicionados junto à paciente, responsáveis pela execução cirúrgica. “É importante esclarecer que o robô não opera sozinho. O cirurgião é quem realiza a cirurgia, e o robô funciona como uma extensão altamente precisa das mãos humanas”, reforça a médica.
Um dos principais diferenciais da cirurgia robótica em relação à laparoscopia convencional está na qualidade dos movimentos e da visualização. As pinças robóticas são articuladas, permitindo movimentos mais amplos e refinados, enquanto a imagem tridimensional, em alta definição, é controlada diretamente pelo cirurgião. “O sistema transforma movimentos maiores das mãos em gestos milimétricos, elimina tremores e estabiliza a câmera. Isso faz muita diferença quando lidamos com estruturas delicadas, como vasos e nervos”, afirma a Dra. Tainá.
Do ponto de vista da segurança, as evidências científicas demonstram benefícios consistentes. Estudos comparativos mostram que, em relação à cirurgia aberta, a cirurgia robótica apresenta menor perda sanguínea, menor taxa de complicações pós-operatórias, menos dor, internação hospitalar mais curta e retorno mais rápido às atividades cotidianas. “Quando analisamos o conjunto das evidências, a cirurgia robótica é tão segura quanto ou até superior às técnicas tradicionais na maioria dos desfechos avaliados”, destaca.
Quando comparada à laparoscopia, os resultados tendem a ser mais equilibrados, mas com vantagens relevantes em casos de maior complexidade. “A robótica amplia nossa capacidade de realizar cirurgias mais complexas, tanto na ginecologia benigna quanto no tratamento de câncer, com maior precisão e preservação de estruturas importantes”, explica a especialista.
Essa evolução tecnológica impacta diretamente a experiência da paciente no pós-operatório. Menor dor, redução da necessidade de analgésicos, menos sangramento e alta hospitalar mais precoce resultam em recuperação mais rápida e melhor qualidade de vida. “A paciente sente a diferença. O retorno às atividades diárias acontece de forma mais rápida, com menos limitações físicas e emocionais”, afirma a médica.
Entre as principais indicações da cirurgia robótica na ginecologia estão procedimentos como histerectomia, miomectomia, tratamento de endometriose, cirurgias de ovário e o manejo de diferentes cânceres ginecológicos. No entanto, a médica reforça que a tecnologia não substitui o julgamento clínico. “Cada caso precisa ser avaliado individualmente. A robótica não substitui uma boa indicação cirúrgica nem uma equipe experiente. Ela é uma aliada quando bem indicada”, pontua.
Apesar dos avanços, ainda existem desafios em discussão, como o custo do procedimento e o tempo cirúrgico, especialmente em fases iniciais de implementação. “Os custos tendem a ser mais elevados, principalmente no início, e o tempo cirúrgico já foi apontado como maior em alguns estudos. No entanto, esses fatores vêm sendo reduzidos à medida que as equipes ganham experiência”, explica a Dra. Tainá.
A consolidação da cirurgia robótica no cenário global reforça essa tendência. Dados divulgados pela principal plataforma de cirurgia robótica indicam que cerca de 17 milhões de cirurgias já foram realizadas no mundo até 2024. “Em centros de ponta, com equipes treinadas e estrutura adequada, muitos desses desafios tendem a ser neutralizados, e os benefícios se tornam ainda mais evidentes”, avalia.
Para a médica, o avanço da cirurgia robótica representa a ampliação das opções terapêuticas dentro da medicina minimamente invasiva. “Estamos falando de mais segurança, mais precisão e uma experiência melhor para a paciente, sem perder de vista que tecnologia e cuidado humano precisam caminhar juntos”, conclui.
Sobre a especialista
A Dra. Tainá Vieira Nilson é médica formada pela Universidade de Brasília (UnB), com residência em Ginecologia e Obstetrícia pelo Hospital Universitário de Brasília. Possui especialização em Oncologia Cirúrgica Ginecológica pelo Hospital Pérola Byington e atua nas áreas de Ginecologia Oncológica e Cirurgia Minimamente Invasiva. Mantém formação continuada no Hospital Israelita Albert Einstein, com foco em cirurgia ginecológica minimamente invasiva e no manejo de casos oncológicos, integrando tecnologia, decisão médica qualificada e cuidado humanizado.

Dra.Tainá Vieira Nilson
A dra. Tainá Vieira Nilson é médica formada pela Universidade de Brasília (UnB), com residência em Ginecologia e Obstetrícia pelo Hospital Universitário de Brasília. Possui especialização em Oncologia Cirúrgica Ginecológica pelo Hospital Pérola Byington e atua em Ginecologia Oncológica e Cirurgia Minimamente Invasiva, com formação continuada no Hospital Israelita Albert Einstein, com foco em cirurgia ginecológica minimamente invasiva e no manejo de casos oncológicos


