Janeiro Branco: falar de saúde mental no trabalho é uma urgência, não um luxo

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Psicóloga Dra. Helena Rol alerta que o adoecimento emocional já impacta produtividade, relações profissionais e a sustentabilidade das empresas

São Paulo, janeiro de 2026 – Burnout, ansiedade, estresse crônico e exaustão emocional deixaram de ser questões individuais e passaram a ocupar o centro das discussões sobre saúde, trabalho e desempenho profissional. O aumento expressivo de afastamentos por transtornos mentais evidencia um cenário preocupante e reforça a necessidade de que empresas e lideranças assumam um papel ativo e contínuo na promoção da saúde mental.

No Brasil, os dados confirmam a gravidade da situação. Segundo informações do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), em 2024 foram registrados mais de 472 mil afastamentos do trabalho por transtornos mentais e comportamentais, representando um aumento de aproximadamente 68% em relação ao ano anterior, o maior número da última década. Ansiedade, episódios depressivos e depressão recorrente lideram as causas dos afastamentos, com mulheres representando cerca de 64% dos casos, conforme análises do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho.

O cenário brasileiro acompanha uma tendência global. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), transtornos mentais como depressão e ansiedade são responsáveis por cerca de 12 bilhões de dias de trabalho perdidos todos os anos no mundo, gerando um impacto econômico estimado em US$ 1 trilhão anuais em perda de produtividade.

Para a psicóloga Dra. Helena Rol, especialista em saúde emocional no ambiente de trabalho, os números deixam claro que a pauta da saúde mental não pode mais ser tratada como acessória ou pontual.

“Falar de saúde mental no trabalho é falar de sustentabilidade humana e organizacional. Nenhuma empresa se sustenta a longo prazo adoecendo seus profissionais”, afirma.

Segundo a especialista, o adoecimento emocional raramente acontece de forma repentina. Os sinais surgem gradualmente, mas são frequentemente ignorados ou normalizados em ambientes que valorizam o excesso de trabalho, a disponibilidade constante e metas inalcançáveis.

“O burnout não surge do nada; ele é construído em ambientes que ignoram limites, reconhecimento emocional e espaço para escuta”, explica Dra. Helena Rol.

Sintomas como irritabilidade frequente, dificuldade de concentração, cansaço extremo, insônia, queda de desempenho e sensação persistente de incompetência são indicativos claros de esgotamento emocional. Ainda assim, muitos profissionais seguem trabalhando sob sofrimento psíquico, o que compromete tanto a saúde individual quanto a qualidade das relações profissionais.

Estudos internacionais sobre saúde ocupacional indicam que mais de 80% dos trabalhadores afirmam ter enfrentado algum problema de saúde mental no último ano, incluindo estresse intenso, ansiedade ou burnout. No Brasil, pesquisas com lideranças e áreas de recursos humanos mostram que cerca de 87% das empresas já registraram afastamentos de colaboradores por questões emocionais, sendo a ansiedade a principal causa, seguida por depressão e estresse ocupacional.

Para Dra. Helena Rol, ignorar esses dados gera impactos diretos na produtividade, no clima organizacional e na sustentabilidade dos negócios.

“Empresas adoecem pessoas quando tratam metas como mais importantes do que gente”, pontua.

Embora campanhas como o Janeiro Branco desempenhem papel importante na conscientização, a psicóloga alerta que ações pontuais não produzem mudanças estruturais. A Organização Mundial da Saúde e a Organização Internacional do Trabalho defendem que a promoção da saúde mental deve ser integrada às políticas organizacionais e à gestão de pessoas de forma permanente.

“Não adianta falar de saúde mental apenas em janeiro e ignorar o tema ao longo do ano. Cuidar da saúde emocional exige coerência entre discurso e prática”, reforça.

Além das responsabilidades institucionais, Dra. Helena Rol destaca o impacto da cultura da hiperprodutividade e da autocobrança excessiva na vida cotidiana dos trabalhadores.

“Vivemos uma cultura que associa valor pessoal à produtividade. Quando a pessoa acredita que só é válida se está sempre produzindo, o adoecimento emocional se torna quase inevitável”, afirma.

Segundo a especialista, medidas simples e contínuas podem prevenir o adoecimento psíquico e fortalecer ambientes de trabalho mais saudáveis. Pausas reais durante o expediente, metas possíveis, comunicação empática, respeito aos limites individuais e espaços de escuta ativa estão entre as práticas mais eficazes.

“Cuidar da saúde emocional não é sinal de fraqueza, é estratégia de sobrevivência para as pessoas e para as organizações”, destaca.

O Janeiro Branco surge, assim, como um convite à reflexão coletiva. No entanto, para a psicóloga, o cuidado com a saúde mental precisa ultrapassar o calendário e se tornar parte da cultura das empresas.

“Prevenir é sempre mais humano e também mais inteligente do que remediar”, conclui.

Dra. Helena Rol

Sobre a especialista

Dra. Helena Rol é bacharel em Psicologia pela Universidade Bandeirantes de São Paulo (UNIBAN), com pós-graduação em Psicologia Positiva. É formada pela Sociedade Brasileira de Coaching em Personal & Professional Coaching, Positive Psychology Coaching, Executive and Business Coaching e Career Coaching (Master Coaching), além de Practitioner em Programação Neurolinguística (PNL). Possui mais de 10 anos de experiência em atendimento clínico, atuação em comunidades terapêuticas, ONGs e gestão pública, tendo sido gestora da Assistência Social de Itapecerica da Serra entre 2017 e 2019. Atua em projetos estratégicos voltados ao desenvolvimento humano, saúde emocional e promoção do bem-estar.
Instagram: https://www.instagram.com/helena_rol

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