
Em entrevista ao programa, Eduardo Sciolla da Master Pães revela como funciona uma das cadeias mais presentes e menos compreendidas da economia brasileira.
A indústria de panificação no Brasil, responsável por movimentar mais de R$ 100 bilhões por ano segundo a Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria, raramente aparece no centro do debate econômico.
Mas foi exatamente esse setor, cotidiano, invisível e altamente dependente de execução, que entrou em pauta no programa Poder & Negócios, em entrevista com o empresário Eduardo Sciolla, da Master Pães.
Ao longo da conversa, o episódio expõe uma realidade distante da percepção do consumidor final: por trás de um produto simples, existe uma operação intensiva em logística, eficiência e tomada de decisão.
“O pessoal acha que o pão está sempre quentinho, mas por trás disso tem uma operação gigantesca”, afirmou Sciolla durante a entrevista.
Margem apertada e lógica industrial
Um dos principais pontos abordados no programa foi a estrutura de margem do setor, considerada uma das mais pressionadas dentro da indústria de alimentos.
Segundo Sciolla, o erro mais comum é assumir que o lucro está na venda.
“A indústria ganha na compra, não no preço final”, disse.
A afirmação resume a lógica de operação de grande parte da economia real: eficiência começa na cadeia de suprimentos, não no consumidor final.
Logística como centro do negócio
Outro destaque da entrevista foi o papel da logística, frequentemente subestimado fora do setor.
Diferente de outras indústrias, a panificação exige distribuição diária, controle de estoque rápido e atuação direta no ponto de venda.
“O cliente quer o produto pronto na gôndola. A gente que precisa entregar e organizar”, explicou o empresário.
Na prática, isso significa que a indústria absorve funções que, historicamente, pertenciam ao varejo, ampliando custo e complexidade operacional.
Escala e crescimento forçado
A trajetória apresentada no programa também evidencia um padrão recorrente no empreendedorismo brasileiro: crescimento baseado em necessidade, não em planejamento ideal.
A operação da Master Pães saiu de uma produção inicial de cinco sacos de farinha por dia para cerca de 200 sacos diários.
O salto ilustra o que especialistas apontam como característica central do setor: sem escala, o negócio não se sustenta.
Reputação e risco permanente
A entrevista também destacou a fragilidade da reputação na indústria alimentícia.
“Demora muito para construir e pode cair de uma hora para outra”, afirmou Sciolla.
Em um ambiente onde o produto é consumido diariamente, qualquer falha operacional impacta diretamente o consumidor e, consequentemente, o varejo.
Decisão racional vs apego emocional
Outro ponto crítico abordado no episódio foi a dificuldade de empresários em abandonar produtos que não performam.
“A gente errava por agir com o coração e insistir em produtos que não vendiam”, disse.
A mudança para uma gestão orientada por dados foi apontada como fator decisivo para a evolução da empresa.
Um setor tradicional sob transformação
Mesmo sendo um dos segmentos mais tradicionais da economia, a panificação passa por mudanças impulsionadas por novos hábitos de consumo.
Produtos com apelo saudável, redução de açúcar e diferenciação nutricional ganham espaço, exigindo inovação sem comprometer escala.
Poder & Negócios como registro da economia real
Ao trazer para o centro da conversa um setor pouco explorado pela mídia, o programa Poder & Negócios reforça sua proposta editorial: dar visibilidade a quem opera, decide e sustenta a economia fora dos holofotes.
A entrevista com Eduardo Sciolla evidencia um padrão recorrente no país, negócios essenciais que funcionam sob pressão constante, com baixa margem e alta exigência operacional.
No final
Mais do que contar uma história empresarial, o episódio registra como funciona, na prática, uma das engrenagens mais presentes da economia brasileira.
E reforça um ponto central:
o que move o país, muitas vezes, não é o que aparece, é o que entrega todos os dias.

