rchestre des Champs-Élysées obtém conexão máxima – 28/05/2026 – Ilustrada

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rchestre des Champs-Élysées obtém conexão máxima - 28/05/2026 - Ilustrada

Há vários anos, a temporada de concertos internacionais Tucca – Música pela Cura, tem se destacado no cenário musical da capital paulista, e nada justifica que ela receba menos espaço ou apoio dos meios especializados em comparação com as séries mais tradicionais da cidade.

Com curadoria segura e programação variada, que sabe quando e quanto ousar, a TUCCA mescla concertos clássicos com apresentações de música popular instrumental e, eventualmente, também de canção popular.

Mesmo antes de ter anunciado aquele que pode ser o mais cultuado concerto desta década, a saber, a vinda ao Brasil, após mais de 20 anos, da Orquestra Filarmônica de Berlim, que será regida pelo seu maestro titular, Kirill Petrenko, e terá Daniil Trifonov como solista de piano, na Sala São Paulo no mês de outubro, a temporada 2026, aberta pela extraordinária NDR Bigband com João Bosco e Lenine, já tinha motivos para ser celebrada por sua alta qualidade.

Para tanto – e apenas para nos atermos à programação especificamente de música clássica – basta citarmos as presenças, ao longo do ano, da Orquestra de Câmara Franz Liszt, do violinista Schlomo Mintz, do Monteverdi Choir com os English Baroque Soloists, e da atração apresentada nesta quarta-feira (27), a Orchestre des Champs-Élysées dirigida por Philippe Herreweghe.

Fundador do lendário Collegium Vocale Gent, o regente belga de 79 anos especializou-se na música vocal de Johann Sebastian Bach, tornando-se referência, a partir dos anos 1970, do movimento de renovação das interpretações de música barroca a partir do resgate histórico de técnicas, instrumentos originais, sistemas de afinação e acurácia estilística.

Tal como outras figuras centrais desse movimento, como Nikolaus Harnoncourt, Herreweghe aos poucos estendeu seus horizontes para a música pós-barroca, e é nesse contexto que fundou, em 1991, a Orchestre des Champs Élysées.

Integrada por 50 músicos, o grupo trouxe ao Brasil um repertório escrito nas primeiras décadas do século 19: a “Sinfonia nº8 – Inacabada”, de Franz Schubert, e a “Sétima Sinfonia”, de Beethoven.

Como um regente coral, Herreweghe comanda a orquestra com as mãos (sem batuta), com gestos contidos, totalmente conectados com o som que se projeta no espaço, sem nenhum excesso.

Segura os “crescendi” para que nunca passem do ponto, posiciona o som no degrau exato da dinâmica e, a cada repetição, encontra contracantos inesperados, ouvidos com interesse mesmo em obras tão conhecidas como as do programa apresentado.

Nunca se saberá exatamente a razão de Schubert ter escrito apenas dois movimentos para a “Oitava Sinfonia”, em uma época em que o gênero pedia quatro: assim como as sete anteriores, a “Nona” – composta após a “Inacabada” – contém as quatro seções esperadas.

O som dos instrumentos antigos da Orchestre des Champs Élysées parece dar mais personalidade a cada solo e, ao mesmo tempo, promove uma fusão doce, na qual o todo se mostra em mais camadas, sem nunca soar como uma massa indiferenciada.

Herreweghe levou ao “Andante”, o movimento final de Schubert, a experiência acumulada por décadas de estudo e prática da música barroca: contrastes extremos, explosões afetivas, passionalidade esmiuçada.

No intervalo, após os aplausos, no canto do palco, conforme os músicos saíam, o maestro se dirigia a membros de cada um dos naipes, aparentemente para dar instruções.

Seja isso real ou não, o fato é que, no segundo tempo, a “Sétima” de Beethoven surgiu com cores novas e uma sonoridade mais extrovertida.

Em certa medida isso ocorre por conta de a própria obra ter essa característica rítmica, obstinadamente dançante, mas isso não explica totalmente a mudança: na longa introdução do primeiro movimento, por exemplo, o som do tutti orquestral ocupava plenamente a sala, com mais corpo do que em toda a primeira parte.

Herreweghe consegue conexão máxima com gestos mínimos e, com isso, toda a precisão rítmica necessária. Sem arroubos, sua direção coloca a máquina em movimento e praticamente se retira por momentos, como se a partir daí a engrenagem sonora conquistasse vida própria.



Fonte ==> Uol

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