Por que ‘Mina the Hollower’ é um dos grandes jogos do ano – 06/07/2026 – Ilustrada

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Por que 'Mina the Hollower' é um dos grandes jogos do ano - 06/07/2026 - Ilustrada

Não é para menos que “Mina the Hollower” roubou os holofotes de qualquer megalançamento no último mês —pelo menos até a abertura da pré-venda de “GTA 6”. O jogo da ratinha de chicote na mão, sob uma embalagem 8-bit que remete aos games do antigo Game Boy Color e inspiração clara no primeiro “The Legend of Zelda”, “Castlevania” e outros, mostrou que muitas vezes a modernidade está em ser retrô.

É um feito e tanto para um meio que hoje banaliza essa estética, em sentido amplo, tanto entre os desenvolvedores independentes como entre os gigantes do setor.

Este é apenas o segundo título da Yacht Club Games, que, em 2014, estremeceu o mundo indie com o original “Shovel Knight: Treasure Trove”, um game de plataforma inspirado em “Duck Tales”, “Mega Man” e até do infame “Zelda 2: The Adventure of Link”, protagonizado por um inusitado cavaleiro cuja arma era uma pá. Nesse meio-tempo, a empresa explorou o quanto podia desse universo, com DLCs robustas e jogos derivados menos ambiciosos.

Agora, “Mina”, que deveria ser um projeto menor, acabou sendo gestado por seis anos e inundou a mídia gamer com um entusiasmo raro. Ele se explica por uma riqueza de fatores. A começar pela rapidez com que põe o jogador no seu mundo, instigando seu senso de exploração e de persistência.

Em menos de um minuto, já na pele da ratinha escavadora, escolhe-se uma arma inicial —entre um chicote, à “Castlevania”, um par de adagas e um martelo, cada um com prós e contras, suscitando estilos de jogo diferentes— para lutar contra um kraken. Nisso, o navio da personagem se choca contra a ilha onde a aventura se desenrola.

A convite do suspeito rei Lionel, caberá ao camundongo enfrentar hordas de inimigos e chefes e consertar seis torres de energia em diferentes áreas neste mundo aberto. Ele pode ser explorado de forma não linear —não há marcadores de objetivo apitando na tela. Cabe ao jogador se arriscar pelos caminhos, conversar com os personagens, ler dicas em jornais e experimentar muito para achar o seu caminho.

A falta de um mapa pode incomodar quem não tem bom senso de direção, não consegue decorar caminhos ou não joga com tanta frequência, mas o bom design de fases sana esse problema.

São áreas bem distintas entre si, com inimigos e mecânicas próprias, interconectadas por uma cidade, repleta de lojinhas, NPCs, missões secundárias variadas —de quebra-cabeças simples a minigames de pesca— e segredos só desvendados conforme o jogador entende as habilidades de Mina.

Neste RPG de ação com câmera em visão superior, o combate é integrado à movimentação e aos trechos de plataforma. Mina consegue andar, pular e também escavar por alguns segundos ao manter pressionado o botão de salto. Com isso, ela consegue um impulso sob a terra e, quando se solta o botão, salta por uma distância maior. A habilidade também é crucial em combate, permitindo que se esquive de ataques na superfície, já que não há um botão de defesa.

Além disso, “Mina” atualiza seu espírito retrô tomando elementos de games como “Dark Souls”, ainda que esteja longe de ser um “soulslike”.

Ao derrotar inimigos, os jogadores ganham ossos, que são tanto pontos de experiência —para subir o nível do ataque, defesa e do dano de armas secundárias, como adagas, machados e afins— como moeda —para comprar armas, chaves, roupas e apetrechos que dão novas habilidades.

Esses ossos podem ser perdidos caso o jogador morra sem centelhas —esferas de energia que são como uma vida de garantia. Mina começa com uma delas; se ela perece, o objeto fica com o inimigo que a derrotou até que ele seja morto numa próxima ocasião. Em paralelo aos ossos, há a “ossita”, uma espécie de diamante amarelado com o qual se armazenam ossos em segurança, também encontrada solta pelo mapa.

As rotas são guiadas por “checkpoints” —tocas como as fogueiras de “Dark Souls”, onde é possível gerenciar seus ossos, armas e acessórios, bem como regenerar a vida e seus frascos de plasma. Em número limitado, esses frascos são as poções de cura, mas não basta apertar um botão e tomá-los.

O jogador precisa assumir uma postura agressiva e, conforme ataca os inimigos, vê o quanto poderá se regenerar de acordo com uma barra laranja na interface. Se levar dano, essa barra diminui. E, da mesma forma que os frascos de “Dark Souls”, Mina fica vulnerável por alguns segundos enquanto toma a poção, o que por vezes dificulta muito o combate contra os vários chefes, alguns bastante rápidos a agressivos.

Já os apetrechos —obtidos ao completar missões ou acessar áreas escondidas, ou fechadas a chave— são uma arte à parte nesse sistema. São 60 deles, que vão de itens simples, que aumentam o ataque ou a defesa, até acessórios que dão habilidades valiosas, como escavar paredes, dar saltos mais longos, ter uma sobrevida ou multiplicar o dano conforme um combo de ataques.

A princípio, o jogador pode usar apenas um por vez, mas, ao final, será possível equipar até seis simultaneamente, abrindo todo um leque de possibilidades. São recursos que ajudam a progredir e facilitar a jornada, mas que podem ser completamente dispensados.

As primeiras horas de “Mina the Hollower” são desafiadoras para quem não está acostumado com o gênero. Ciente dessa dificuldade, o título acerta ao oferecer dezenas de opções de acessibilidade para jogadores iniciantes que só querem conhecer mais deste mundo e chegar ao final da aventura. É uma pauta polêmica entre os jogadores ditos “hardcore” meritocratas, para quem esse tipo de ferramenta é desmoralizante.

Pelo contrário. Os criadores fizeram um menu completo com quase duas centenas de modificadores que tanto podem trazer uma experiência mais suave —saltos maiores, vida infinita, ataques fatais, etc.—, como uma ainda mais difícil, para os masoquistas de plantão.

Soma-se ainda a tradução para 11 idiomas —incluindo português, num trabalho notável— e o próprio fato de o jogo ser mais barato que a média (R$ 60) e leve —roda perfeitamente tanto em consoles mais “antigos”, a exemplo do primeiro Nintendo Switch, como em computadores básicos.

São aspectos básicos, mas que podem ser definitivos para um mundo de jogadores cada vez mais ocupados e bombardeados por opções. Pelo seu conjunto visual que une nostalgia e originalidade, pela trilha sonora eletrizante e, sobretudo, pela jogabilidade que traduz um cuidado criativo raro, “Mina the Hollower” tem tudo para ser o jogo de 2026. A carinha de anos 1990 é apenas um atestado de maturidade.



Fonte ==> Uol

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