Caio Gachet: o executivo que aposta que o agro vai ser financiado por dado, não por garantia

0
4

À frente de uma fintech, de uma software house, de uma securitizadora e de uma trading de commodities, o empresário aposta que o crédito tradicional vai perder espaço para inteligência artificial, dados e infraestrutura financeira escalável e quer ser quem constrói.

Por muito tempo, inovação no agronegócio foi sinônimo de trator autônomo, sensor de solo e imagem de satélite. Continua sendo. Mas parou de ser a única frente. Há uma segunda transformação em curso, e ela não acontece dentro da porteira; acontece na forma como o dinheiro circula entre produtor, trading, banco e investidor.

É nesse ponto que o empresário Caio Vinícius Gachet de Almeida decidiu apostar. Administrador com trajetória em tecnologia financeira, mercado de capitais e agronegócio, ele hoje comanda um grupo que cobre boa parte da cadeia de infraestrutura financeira: a fintech V2X Pay, a software house T-Alpha, a V2X Securitizadora e a Trading Santa Catarina — esta última voltada à comercialização de soja e milho e à estruturação de crédito no campo.

“Nunca quisemos ser mais um banco digital, nem mais uma fintech isolada”, resume Gachet. “O que a gente constrói é a camada que permite que banco, trading e cooperativa ofereçam crédito, pagamento e gestão de risco sem ter que montar tudo isso do zero.”

Mais do que produto, uma camada

A escolha de negócio é deliberada. Em vez de competir de frente com banco tradicional, o grupo liderado por Gachet desenvolve infraestrutura em Banking as a Service (BaaS), Embedded Finance, Open Finance, APIs financeiras e pagamentos digitais, a base sobre a qual outras empresas incorporam serviço financeiro à própria operação, sem precisar virar instituição financeira para isso. A V2X Securitizadora completa o desenho, estruturando operações de crédito, antecipação de recebíveis e conexão com o mercado de capitais.

A inteligência artificial entra pelo risco, não pelo marketing

No discurso sobre tecnologia no agro, IA costuma aparecer associada a imagem de satélite e previsão de safra. Na operação de Gachet, ela entra por outra porta: a de crédito. Cruzando histórico financeiro, comportamento de pagamento, risco climático, logística e preço de commodities, os modelos usados pelo grupo buscam precificar risco com mais precisão, o que não significa necessariamente mais crédito liberado, e sim crédito mais barato para quem paga em dia.

A aposta tem lastro em números do setor bancário como um todo: segundo estimativa do McKinsey Global Institute, tecnologias de IA generativa têm potencial para gerar entre US$ 200 bilhões e US$ 340 bilhões por ano em valor adicional para o setor bancário global, sobretudo em gestão de risco, atendimento e compliance. No agronegócio, a expectativa é que esse ganho seja proporcionalmente maior, dado o volume de variáveis climáticas, logísticas e regulatórias que qualquer análise de crédito rural precisa considerar.

A trading como prova de conceito

Enquanto V2X Pay, T-Alpha e V2X Securitizadora constroem a infraestrutura, a Trading Santa Catarina funciona como campo de teste. Além de comprar e vender soja e milho, a empresa estrutura crédito e antecipação de recebíveis para produtores. Já são mais de R$ 30 milhões movimentados em operações de comercialização e mais de R$ 10 milhões em operações de crédito e antecipação financeira.

Os números do ecossistema

Segundo dados do próprio grupo, já foram desenvolvidos mais de 30 projetos tecnológicos para segmentos como agronegócio, mercado imobiliário, indústria, varejo, atacado e setor público. As plataformas somam mais de 30 mil contas abertas entre pessoas físicas e jurídicas, mais de 200 mil transações financeiras processadas e mais de R$ 100 milhões movimentados.

Vocação internacional

“A infraestrutura que a gente desenvolveu não serve só ao mercado brasileiro”, diz Gachet. “Ela se aplica a qualquer país que enfrente o mesmo problema: acesso a crédito limitado, financiamento pouco moderno, cadeia produtiva desconectada do mercado de capitais. A internacionalização já está no planejamento do grupo.”

Gachet soma à trajetória experiência em negociação internacional e estruturação societária, o que sustenta o plano de levar o modelo para fora do Brasil nos próximos ciclos.

A aposta de fundo

O próximo ciclo do agronegócio brasileiro, na leitura de Gachet, não vai ser decidido só na lavoura. Vai ser decidido na infraestrutura que conecta capital e produção, e essa infraestrutura, cada vez mais, roda sobre dado, não sobre garantia.

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui