Psicóloga clínica chama atenção para os efeitos da falta de diálogo nas relações e para a importância de compreender os padrões emocionais que se repetem na vida afetiva
As redes sociais e os aplicativos de mensagens tornaram a comunicação praticamente instantânea. Paradoxalmente, em uma época na qual nunca foi tão fácil falar com alguém, também se tornou comum encerrar relações simplesmente deixando de responder.
O comportamento ganhou até um nome: ghosting. A expressão é utilizada para descrever situações em que uma pessoa interrompe repentinamente o contato, sem oferecer uma explicação clara para quem estava do outro lado.
Para a psicóloga clínica Louise Avelar (CRP 06/236529), que trabalha com adolescentes e adultos e aborda questões relacionadas a ansiedade, relacionamentos, conflitos emocionais e saúde mental, fenômenos como esse ajudam a compreender algumas das dificuldades presentes nos vínculos contemporâneos.
Formada em Psicologia pela Universidade Anhembi Morumbi, Louise realiza atendimentos presenciais em São José dos Campos (SP) e também na modalidade online. Em seu trabalho e na produção de conteúdo sobre psicologia, a profissional tem direcionado atenção para temas que fazem parte da vida cotidiana e que, apesar de comuns, nem sempre são compreendidos a partir de uma perspectiva psicológica.
O ghosting é um deles.
Mais do que discutir quem está certo ou errado em uma relação, a psicologia permite observar os mecanismos envolvidos na maneira como cada indivíduo estabelece vínculos, enfrenta conflitos, comunica suas necessidades e reage diante de frustrações.
Para quem é deixado sem uma resposta, a ausência de uma explicação pode gerar dúvidas e favorecer interpretações sobre o que aconteceu. É justamente a falta de um encerramento claro que torna esse fenômeno relevante para a discussão sobre saúde emocional.
Relações digitais não eliminaram necessidades humanas
Embora as formas de relacionamento tenham mudado, necessidades como pertencimento, reconhecimento, segurança e comunicação continuam fazendo parte das relações humanas.
A tecnologia alterou principalmente a velocidade e a dinâmica dessas interações.
Hoje, uma pessoa pode conhecer alguém, estabelecer conversas frequentes e construir uma sensação de proximidade sem que necessariamente exista uma relação presencial consolidada. Da mesma maneira, esse contato pode desaparecer rapidamente.
Esse cenário cria novos desafios para a psicologia.
Na prática clínica apresentada por Louise, uma das propostas é oferecer um espaço para que adolescentes e adultos possam compreender a própria história, identificar padrões que se repetem e observar com mais clareza a forma como constroem suas relações.
Esse olhar evita transformar todas as experiências emocionais em diagnósticos. Nem toda frustração representa um transtorno psicológico, assim como nem todo comportamento desconfortável precisa receber imediatamente um rótulo clínico.
Essa diferenciação se torna particularmente importante em uma época em que conceitos originados na psicologia passaram a circular intensamente nas redes sociais.
Psicologia também é aprender a reconhecer padrões
Relacionamentos são apenas uma das áreas nas quais determinados comportamentos podem se repetir.
Ansiedade, conflitos familiares, dependência emocional, procrastinação, dificuldades de autoestima, esgotamento profissional e questões relacionadas à parentalidade estão entre os temas presentes na atuação profissional divulgada por Louise.
A psicoterapia pode contribuir justamente para identificar essas repetições e compreender o contexto em que surgiram.
Isso significa deslocar a pergunta de “por que isso sempre acontece comigo?” para questões mais profundas: como estabeleço meus vínculos? Como reajo à rejeição? Como comunico limites? O que espero das outras pessoas? E por que determinadas situações despertam reações emocionais tão intensas?
São perguntas que nem sempre oferecem respostas imediatas, mas que podem ampliar o autoconhecimento.
Saúde mental além dos diagnósticos
Outro aspecto defendido na comunicação profissional de Louise Avelar é uma psicologia baseada em escuta, acolhimento e respeito à singularidade de cada pessoa.
Esse posicionamento ganha importância diante da crescente popularização de conteúdos sobre saúde mental na internet.
Se, por um lado, as redes contribuíram para ampliar o debate sobre psicologia, por outro também aumentaram a circulação de simplificações e diagnósticos feitos a partir de vídeos ou listas de sintomas.

Louise Avelar
A atuação do psicólogo parte de uma lógica diferente: cada experiência precisa ser compreendida considerando história, contexto e individualidade.
Nesse sentido, discutir fenômenos contemporâneos como ghosting, dependência emocional, ansiedade ou dificuldades nos relacionamentos pode ser uma porta de entrada para uma conversa muito maior sobre comportamento humano.
É também nesse território que Louise Avelar vem construindo sua atuação profissional, aproximando temas presentes no cotidiano do conhecimento psicológico e incentivando uma compreensão menos superficial das emoções.
Em uma sociedade que desenvolveu inúmeras maneiras de se conectar, talvez um dos desafios continue sendo essencialmente humano: aprender a compreender a si mesmo para conseguir construir relações mais conscientes com os outros.


