Livro de Tamara Klink passa a vender mais após polêmica – 14/08/2026 – Walter Porto

0
4
Livro de Tamara Klink passa a vender mais após polêmica - 14/08/2026 - Walter Porto

As vendas do livro “Bom Dia, Inverno”, da navegadora Tamara Klink, dispararam após a autora publicar um vídeo pedindo que as pessoas parassem de comprar a obra.

Desde o rebuliço provocado pela declaração, o livro vendeu 2.061 exemplares em apenas quatro dias, quase o dobro da quantidade esperada para o período segundo o modelo da BookInfo —serviço que monitora dados de vendas em livrarias, organiza rankings de mais vendidos e realizou este levantamento a pedido da Folha.

Segundo a empresa, depois da polêmica, as vendas de “Bom Dia, Inverno” atingiram um patamar sem precedentes nos 74 dias desde sua chegada às lojas —mesmo levando em conta que a obra já frequentava as listas de best-sellers de não ficção há várias semanas.

Só no último sábado, quando inúmeros influenciadores passaram a comentar o pronunciamento de Klink entre crítica e apoio a sua postura arrojada, as livrarias computaram a venda de 964 exemplares do livro. No sábado anterior, o número tinha ficado em torno de 300.

Eduardo Cunha, diretor da BookInfo, aponta ainda que o crescimento foi amplo e distribuído, alcançando 17 estados, e pondera que o salto pode se consolidar num patamar ainda maior. Isso porque a gigante Amazon só computa suas vendas após o recebimento do livro na casa do comprador, o que leva a uma demora de mais alguns dias no fechamento do balanço completo.

“Bom Dia, Inverno” relata o período de invernagem da velejadora de 29 anos no mar congelado do Ártico, por oito meses de 2023 a 2024. No famigerado vídeo, ela dizia precisar “ser coerente” e citava preocupações ambientais para pedir que o público não comprasse mais a obra —no lugar, incentivava o empréstimo ou doação das cópias que já estavam nas ruas.

“Já tem muitos livros ‘Bom Dia, Inverno’ circulando pelo Brasil todo e, se vocês puderem, se tiverem acesso a uma biblioteca, se tem pessoas da família, colegas, pessoas do trabalho, façam esses livros circularem, é para isso que eles servem, para isso que existem”, dizia a escritora.

“É muito triste na vida de um livro acabar em uma biblioteca só e só ser lido uma vez. Tem um monte de papel, um monte de energia que foi gasta da natureza para esse livro existir.”

No domingo passado, diante da imensa repercussão, ela apagou o vídeo de suas redes sociais e publicou uma retratação.

“Errei em não ver outros pontos de vista. Precisamos da leitura. Precisamos de autores. Pequenos, grandes e independentes. Sou leitora antes de ser autora e não levei em conta toda a cadeia que alimenta as editoras”, escreveu. “Agradeço a cada um que faz a leitura ir mais longe que a prateleira.”

A coluna não conseguiu contato com Klink, que está viajando. Sua editora, a Companhia das Letras, diz que não vai se manifestar sobre o caso.


LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.



Fonte ==> Uol

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui