IA chega à captação de clientes na advocacia e mira o advogado que vive de indicação

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Com 1,37 milhão de advogados inscritos na OAB e regras de publicidade digital em vigor desde 2021, escritórios pequenos começam a usar agentes de IA para produzir conteúdo e anúncios.

Brasília – A inteligência artificial, que entrou nos escritórios de advocacia pela redação de petições, começa a ser usada para outra tarefa: atrair clientes. O movimento mira sobretudo o advogado autônomo e o escritório pequeno, que dependem de indicação e não têm equipe de marketing.

O mercado é grande e disputado. O Brasil tem 1,37 milhão de advogados inscritos, segundo o Estudo Demográfico da Advocacia Brasileira (PerfilAdv), divulgado pela OAB em 2023. Mais da metade (52%) tem menos de dez anos de carreira, e a maior parte recebe menos de cinco salários mínimos por mês.

O que a OAB permite

A internet entrou de vez na advocacia com o Provimento 205/2021 do Conselho Federal da OAB, publicado em julho de 2021. A norma liberou o uso de redes sociais e o impulsionamento de conteúdo, desde que sem mercantilização, captação de clientela ou gasto excessivo. Na prática, o caminho aberto é o conteúdo informativo: o advogado explica direitos e situações do seu nicho, e o cliente que se reconhece procura o escritório.

O gargalo é a execução. Produzir conteúdo com constância, dentro das regras e com estratégia, exige um tempo que o advogado de escritório pequeno costuma gastar nos processos.

Agentes de IA no lugar da agência

É nesse espaço que entram plataformas como a Lexoura, criada pelos advogados Roberto Cidade Westphalen e Mateus Leandro. No Lexoura Viral, o advogado faz um pedido em português comum, e um time de agentes de IA pesquisa pautas do nicho, escreve, desenha e revisa o material. As campanhas de anúncio são montadas na conta do próprio escritório e só vão ao ar depois da aprovação do advogado.

“A responsabilidade perante o Tribunal de Ética é sempre do advogado. Por isso nada sai sem a aprovação dele, e um agente da plataforma tem poder de veto sobre o que contraria as regras de publicidade”, explica Roberto Cidade Westphalen, cofundador da Lexoura.

O custo é outro argumento. Pelas estimativas da empresa, uma agência de marketing jurídico cobra de R$ 2.000 a R$ 5.000 por mês, e um social media freelancer, de R$ 800 a R$ 1.500. O plano Viral Pro da Lexoura custa R$ 229,90 mensais.

Indicação continua, mas não basta

Para os fundadores, a IA não substitui a indicação, canal tradicional da advocacia. “Indicação é ótima, mas não pode ser o único canal. Quem depende só dela não controla a própria agenda”, diz Mateus Leandro. “O cliente pesquisa no Google antes de ligar. Se o escritório não aparece, ele liga para o colega que aparece.”

A empresa ressalta que não promete número de clientes. O que a plataforma entrega é a execução: estratégia, conteúdo, anúncios e roteiro comercial, que o advogado acompanha e aprova etapa por etapa.

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Site: lexoura.com.br
Instagram: @lexoura.ia
Instagram de Roberto Cidade Westphalen: @rgcidade
Instagram de Mateus Leandro: @mateusleandroadv

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