Especialista aponta que experiência do usuário se torna fator decisivo nas vendas online e antecipa tendências que devem moldar o mercado em 2026
Em um ambiente digital cada vez mais competitivo, onde produtos e preços se aproximam, a diferença entre vender ou perder um cliente pode estar em elementos quase imperceptíveis da interface. A forma como um botão é apresentado, a clareza de uma mensagem ou a organização das informações na tela têm impacto direto na decisão de compra e, muitas vezes, em questão de segundos.
Para o especialista em UX/UI Gabriel De Gennaro, o design deixou de ser um componente estético para assumir um papel estratégico no desempenho comercial das empresas. “A decisão de compra não é tão racional quanto as empresas imaginam. Ela é altamente influenciada pela facilidade, pela confiança e pela fluidez da experiência. Quando o usuário encontra qualquer tipo de dificuldade, a tendência é abandonar”, afirma.
Com mais de 16 anos de experiência e atuação em projetos para clientes internacionais, Gabriel observa que o comportamento digital segue padrões cada vez mais claros. Segundo ele, a simplicidade se tornou um diferencial competitivo. “Interfaces limpas, objetivas e com foco direto na ação tendem a performar melhor. O excesso de informação, que antes era comum, hoje funciona como barreira”, explica.
Essa clareza de visão foi construída ao longo de milhares de projetos ao redor do mundo. Segundo Gabriel, a principal lição não está em tendências visuais ou ferramentas, mas na previsibilidade do comportamento humano diante das interfaces. “Depois de certo volume de projetos, você começa a perceber padrões muito claros. O usuário não quer pensar. Ele quer entender rapidamente onde clicar, o que vai acontecer e qual o benefício”, afirma.
Outro ponto destacado pelo especialista é o papel da confiança na jornada do usuário. Elementos como consistência visual, organização e previsibilidade contribuem para reduzir a insegurança do consumidor. Para ele, o usuário precisa sentir que está no controle. Quando a navegação é confusa ou pouco intuitiva, isso gera dúvida e dúvida reduz conversão.
Ao analisar tendências para 2026, Gabriel aponta uma mudança importante na forma como o design será pensado: menos baseado em preferências visuais e mais orientado por dados e comportamento. “A tendência é que o UX/UI seja cada vez mais guiado por métricas. Decisões vão deixar de ser subjetivas e passarão a ser baseadas em testes e análise de interação”, afirma.
Entre os movimentos mais relevantes, ele destaca a crescente integração entre design e inteligência artificial. Ferramentas capazes de adaptar interfaces em tempo real, com base no comportamento do usuário, devem ganhar espaço. “O design começa a se tornar dinâmico. A experiência pode mudar de acordo com o perfil de quem está acessando, o que abre novas possibilidades de personalização e aumento de conversão”, avalia.
O avanço das ferramentas baseadas em inteligência artificial no mercado de design, no entanto, levanta um alerta para o especialista. Nos últimos anos, a proliferação de soluções automatizadas prometeu democratizar o processo criativo e atraiu empresas de diferentes portes em busca de agilidade e redução de custos. Para Gabriel, porém, a adoção acrítica dessas tecnologias tem gerado um problema visível: resultados esteticamente elaborados, mas estrategicamente vazios. “A ferramenta existe, está disponível e é acessível. O problema é quando ela é utilizada sem que o profissional responsável compreenda o que está fazendo. O que se observa com frequência é a inteligência artificial produzindo forma sem função, estética sem estratégia”, afirma.
Na avaliação do especialista, a inteligência artificial só representa ganho real quando aplicada por profissionais com experiência consolidada e visão estratégica clara. “A questão não é adotar a solução mais recente do mercado pelo simples fato de ela existir. É compreender de que forma ela se integra ao negócio, ao processo e ao raciocínio de quem a opera. Com esse entendimento, a inteligência artificial deixa de ser apenas um recurso de automação e passa a funcionar como um multiplicador de capacidade, simplificando etapas e potencializando o conhecimento já acumulado”, explica. Sem essa base, segundo ele, o resultado tende a ser superficial: entregas que aparentam modernidade, mas que não comunicam com eficácia e não geram conversão.
O avanço do uso mobile também segue como um dos principais direcionadores do mercado. Segundo Gabriel, pensar primeiro no celular deixou de ser tendência e se tornou uma exigência. “Grande parte das decisões de compra acontece no smartphone. Se a experiência não for otimizada para isso, a empresa perde competitividade”, afirma.
Apesar das novas tecnologias, o especialista reforça que os fundamentos permanecem os mesmos. Clareza, rapidez e facilidade continuam sendo os pilares de qualquer interface eficiente. A tecnologia evolui, mas o princípio básico da experiência do usuário não muda.
Na prática, Gabriel defende uma abordagem mais estratégica, em que design e marketing caminhem juntos desde o início. “O design precisa ser visto como uma ferramenta de negócio. Quando alinhado com objetivos claros, seja gerar leads, vendas ou engajamento, ele deixa de ser um custo e passa a ser um investimento com retorno mensurável”, afirma. Para empresas que buscam melhorar resultados sem aumentar o orçamento, o caminho, segundo ele, passa por olhar para dentro. Sua sugestão é de que antes de investir mais em mídia, vale revisar o que já está no ar. Muitas vezes, o crescimento está escondido em ajustes que ainda não foram feitos.


