
Com menos transações e compradores mais seletivos, saber quem tem mandato e quem apresentou o negócio passa a valer tanto quanto o próprio ativo. É a proposta da Mandatta, plataforma idealizada por Felipe Guimarães Oliveira.
Quem já intermediou a venda de uma fazenda, uma empresa ou um direito minerário conhece os dois receios do setor. O de quem apresenta o negócio: ser contornado e não receber a comissão. E o de quem compra: não saber se quem oferece o ativo tem, de fato, mandato para vendê-lo.
O momento torna esses riscos mais caros. Segundo a KPMG, o mercado brasileiro de fusões e aquisições fechou o primeiro semestre de 2026 com 610 transações e R$ 195 bilhões movimentados, mas com queda de 35% no número de operações. Há menos negócios, e o comprador escolhe com mais rigor.
Uma cadeia longa e sem registro
Boa parte das vendas de imóveis urbanos e rurais, empresas e ativos minerais acima de R$ 1 milhão passa por cadeias de intermediários: originadores, representantes, mandatários de venda e de compra. O relacionamento abre portas, mas raramente deixa rastro. Mandatos verbais, documentos desatualizados e apresentações feitas por mensagem alimentam disputas por comissão e levam ao comprador ativos que não resistem à primeira diligência.
Vivi isso recentemente: uma área apresentada como propriedade única era, na verdade, a soma de vários imóveis com donos diferentes. A negociação terminou antes de começar.
Mandato verificado e apresentação registrada
O sistema Mandatta foi criado para ser a infraestrutura de confiança desse mercado. Cada elo da cadeia recebe um selo de mandato verificado, em quatro níveis (Bronze, Prata, Ouro e Diamante), com código único que só pode ser conferido por usuários da plataforma. Cada apresentação de comprador fica registrada com data e prova, e o registro ganha força conforme o negócio avança: teaser, NDA, visita e carta de intenções.
Antes de acessar os ativos, o interessado assina digitalmente um Termo de Reconhecimento de Remuneração, que formaliza o reconhecimento da comissão mesmo quando o negócio é fechado fora da plataforma.
Documentos que não mudam de versão
Os materiais emitidos trazem QR code e registro próprio, o que permite detectar qualquer alteração. A sala de documentos tem níveis de acesso, marca d’água e checklist de pendências por tipo de ativo, com triagem por inteligência artificial e validação humana. No fechamento, a comissão é dividida entre todos os elos conforme a instrução de rateio, com histórico imutável e conformidade com a LGPD.
Conclusão
Em um mercado mais seletivo, fecha negócio quem consegue provar o que oferece. Levar governança ao mandato é o passo que falta para a intermediação de ativos no Brasil ganhar a disciplina que já se exige em qualquer conselho de administração. Fica a pergunta para quem vende, compra ou intermedeia: quantos negócios você perdeu por falta de lastro, e não por falta de comprador?
Sobre o Mandatta
O Mandatta é a infraestrutura de confiança para a intermediação de ativos de alto valor no Brasil (por enquanto), como imóveis urbanos e rurais, empresas e ativos minerais acima de R$ 1 milhão. A plataforma conecta proprietários, mandatários, intermediários e compradores, de investidores pessoa física a fundos e family offices. Proprietários, mandatários e compradores não pagam assinatura.
Saiba mais: www.mandatta.com
CEO da QuanThor Consulting e idealizador da Mandatta. Executivo C-level e conselheiro com mais de 20 anos de atuação em serviços financeiros, telecomunicações, educação, varejo, aviação e setor forense, é cofundador da Per4m, membro do conselho consultivo da fintech Clapesme e investidor na Board Ventures. Autor de livros como “Gestão no Séc XXII”, escreve a newsletter “Na Mesa do Conselho” no LinkedIn.

