Quênia confirma primeiro caso importado de ebola

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OMS intensifica resposta ao combate de ebola na RD Congo e em Uganda

O Quênia confirmou nesta terça-feira seu primeiro caso importado de ebola. A cepa Bundibugyo do vírus infectou um paciente que chegou a Nairóbi vindo da República Democrática do Congo, RD Congo, onde residia há sete anos. 

O paciente faleceu na capital queniana e as autoridades locais monitoram 28 contatos diretos. Desde maio, 8.224 pessoas contraíram a doença durante o surto, que já matou 3.982 pessoas em sete províncias.

Epicentro na RD Congo

O surto de ebola cruzou fronteiras e chegou ao Quênia, que confirmou o primeiro caso, enquanto o epicentro na RD Congo vive uma tragédia infantil. A importação do caso colocou as autoridades quenianas em alerta máximo. 

© Ocha/Priscilla Lecomte
Um profissional de saúde em um centro de tratamento de ebola no leste da República Democrática do Congo é desinfetado após tratar pacientes.

Em Nairóbi, a corrida contra o tempo visa monitorar pessoas que tiveram contato com o infectado para conter uma possível propagação. 

A epidemia na vizinha RD Congo é marcada por um rastro de milhares de mortos e uma geração de crianças que, subitamente, se veem sozinhas, órfãs e aterrorizadas.

Alerta em Nairóbi

Agências de notícias locais revelaram que o primeiro paciente do Quênia é um cidadão nacional que residia em território congolês há sete anos. Ele adoeceu há cerca de um mês e, após procurar tratamento em várias instalações congolesas, viajou por terra até Kampala, em Uganda. 

No sábado, ele pegou um voo da companhia Jambojet com destino a Nairóbi, pousando no Aeroporto Internacional Jomo Kenyatta às 13h10, hora local. O paciente acabou falecendo enquanto recebia tratamento no Hospital de Nairóbi.

O ministro da Saúde do Quênia, Aden Duale, confirmou tratar-se da cepa Bundibugyo do vírus e garantiu que o país não foi pego de surpresa, pois está implementando um alto nível de alerta para o ebola desde maio de 2026. 

Unfpa/RD Congo
Ministro da Saúde do Quênia, Aden Duale, confirmou tratar-se da cepa bundibugyo do vírus

Com o apoio da Organização Mundial da Saúde, OMS, o Quênia ativou seus protocolos de contenção, priorizando o isolamento e o rastreamento. Neste caso, 28 contatos diretos foram identificados, incluindo familiares, profissionais de saúde e passageiros do voo, que estão todos sob monitoramento rigoroso.

Lavagem frequente das mãos 

Já na prevenção, as autoridades reforçam que o vírus não se transmite pelo ar, mas através do contato direto com sangue, fluidos corporais de uma pessoa infectada ou materiais contaminados. 

A lavagem frequente das mãos e a busca imediata por cuidados médicos aos primeiros sintomas são as principais linhas de defesa.

Se no Quênia o cenário é de contenção preventiva, no epicentro da RD Congo o quadro é de catástrofe humanitária. 

Desde a declaração do surto, em maio, o país registrou mais de 8.224 casos e 3.982 mortes em sete províncias. As operações de socorro enfrentam um cenário complexo, que abriga 4,4 milhões de deslocados internos e onde o conflito armado dificulta a detecção precoce.

Taxa de letalidade

Em meio à crise, as crianças suportam o fardo mais pesado, segundo o Fundo da ONU para a Infância, Unicef. Pelo menos 2.076 menores foram infectados e 1.162 morreram. 

A taxa de letalidade indica que sete em cada dez crianças com menos de cinco anos que contraem o vírus perdem a vida. Mais de 1,9 mil crianças perderam um ou ambos os pais para a doença, sendo que 1.581 dessas perdas concentram-se apenas na província de Ituri.

© OMS
Com o apoio da OMS, o Quênia ativou seus protocolos de contenção

Segundo a diretora de Operações de Emergência do Unicef, para as crianças, o ebola desencadeia uma rápida cadeia de danos. Lucia Elmi explicou que quando um pai adoece, a criança é exposta. 

O pai é hospitalizado ou morre, e a criança fica sem a pessoa de quem depende, enquanto o medo da infecção e o estigma deixam familiares e vizinhos com pavor de intervir.

Ruas de Bunia

A tragédia se agrava para as 214 crianças identificadas vivendo e trabalhando nas ruas de Bunia, o epicentro da doença. 

Sem cuidadores, o risco de infecção e exploração dispara, e elas raramente são alcançadas pelas equipes de rastreamento de contatos. 

A falta de financiamento é crítica: dos US$ 113,4 milhões necessários para a intervenção do Unicef na RD Congo, a agência recebeu, até o momento, apenas um terço.

Fonte ONU

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