Relatório diz que 2/3 das crianças no mundo sofrem bullying cibernético

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Relatório diz que 2/3 das crianças no mundo sofrem bullying cibernético

O bullying cibernético ou intimidação na internet está afetando dois terços das crianças no mundo. O dado consta de um relatório das Nações Unidas sobre Violência contra Crianças apresentado, na terça-feira, em Genebra, sede do Conselho de Direitos Humanos.

Segundo o levantamento, uma em cada duas crianças vítimas do bullying cibernético não sabe como obter o apoio adequado. Para a ONU, é preciso agir rapidamente e em conjunto para proteger as crianças dessas tendências consideradas alarmantes pela organização.

Inteligência artificial

A representante especial do secretário-geral ONU sobre Violência contra Crianças lembra que os menores já enfrentam ameaças crescentes com aumento de conflitos, deslocamentos, pobreza e níveis de violência física. 

Najat Maalla M'jid, Representante Especial da ONU para a Violência contra as Crianças, apresentando o seu relatório no Conselho dos Direitos Humanos da ONU, em Genebra.

Conselho de Direitos Humanos da ONU/Duoyi Ly

Para Najat Maalla M’jid, esse é um  mundo desafiador no qual as crianças estão pagando o preço mais alto. 

A pesquisa, que ouviu mais de 30 mil crianças de todas as regiões do mundo, enfatizou o impacto da inteligência artificial, que transformou fundamentalmente a ameaça que as crianças já enfrentavam online.

O rápido avanço e a acessibilidade da IA ​​generativa estão remodelando o bullying cibernético, tornando-o mais rápido, mais direcionado, mais difícil de detectar e capaz de se espalhar por múltiplas plataformas em grande escala.

Vídeos deepfake

O ecossistema online hoje contém fotos e vídeos deepfake, gerados por IA e a manipulação de crianças por meio de chatbots e outras ferramentas. Muitas  crianças confiam demais, ou se confundem, e não conseguem distinguir da interação humana real.

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A representante especial alerta para os deepfakes de IA “são cada vez mais usados ​​para humilhar, ameaçar e explorar crianças online”.

O relatório ressalta que as crianças têm dificuldade em denunciar o bullying online porque enfrentam estigma e medo, de serem rejeitadas pelos colegas ou julgadas pelos adultos.

O impacto da não denúncia pode ser imediato e arrasador, causando sofrimento psicológico e danos duradouros à reputação em questão de segundos. Nos casos mais trágicos, pode levar as crianças ao suicídio.

Agir para salvar as crianças

Para Najat M’jid, é preciso envolver todos os interessados ​​no ecossistema de proteção infantil online, incluindo governos, indústria, educadores, famílias, crianças e jovens, como a única maneira de proteger as crianças de danos online, permitindo, ao mesmo tempo, uma participação digital segura.

Uma das crianças ouvidas para o relatório lembrou que “os espaços digitais não devem se tornar lugares onde o dano é relatado, mas nunca resolvido. Devem ser lugares onde a ajuda chega de forma rápida, segura e humana. 

Fonte ONU

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