A Blue Origin enfrentará meses de atraso após a explosão de um foguete danificar sua plataforma de lançamento, na quinta-feira (28). O incidente ocorreu durante um teste de ignição dos motores do New Glenn, cujo voo inaugural estava previsto para a próxima semana. O revés impacta o cronograma de lançamento de satélites da Amazon e reforça temporariamente a dominância da SpaceX no mercado aeroespacial comercial.
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O propulsor destruído no incidente foi o “No, It’s Necessary“, batizado em referência ao filme Interestelar (referência curiosa). De acordo com uma fonte familiarizada com o assunto, que falou sob anonimato à Reuters, a plataforma de lançamento ficou “praticamente destruída”. E engenheiros projetam uma interrupção de pelo menos seis meses nas atividades.
“Faz apenas um ano que o Starship da SpaceX também explodiu na plataforma e a Blue Origin também pode se recuperar. Mas levará meses para reconstruir”, afirmou Antoine Grenier, sócio e chefe de consultoria espacial da Analysys Mason.
O histórico do setor mostra que recuperações são possíveis: quando um Falcon 9 da SpaceX explodiu na base em 2016, a empresa levou mais de um ano para consertar a instalação danificada. Mas retomou os voos em quatro meses e meio ao transferir as operações para uma segunda plataforma na Flórida.
Como a explosão do New Glenn impacta os planos da Amazon
O atraso afeta diretamente os planos de internet por satélite da Amazon, que depende do New Glenn para implantar metade de sua constelação de 3,2 mil satélites até julho de 2026 para cumprir prazos regulatórios. Uma suspensão prolongada das atividades pela FAA colocaria essa meta em risco.

Embora a SpaceX possa absorver parte da demanda, seu foguete Falcon 9 possui cerca de metade da capacidade de carga do New Glenn para os satélites da Amazon, o que exigiria um aumento expressivo no número de missões. Além disso, a troca de veículo é complexa, pois as cargas úteis são projetadas para foguetes específicos.
A reação das agências governamentais ao desastre foi mista. A Força Espacial dos EUA e o NRO (National Reconnaissance Office) reafirmaram, na sexta-feira (29), o compromisso com um contrato de lançamentos de segurança nacional assinado com a Blue Origin poucas horas antes do acidente. Já a NASA informou que avaliará o impacto de curto prazo em seus programas Artemis e Moon Base, deixando claro que ainda não está definido se as missões precisarão ser reatribuídas a outros fornecedores.
Apesar do impacto imediato, analistas apontam que a estrutura de longo prazo do mercado não deve sofrer alterações drásticas. “A longo prazo, o mercado ainda precisa de alternativas viáveis, então isso fortalece a posição da SpaceX na margem, mas não muda a trajetória mais ampla em direção a um ecossistema de múltiplos provedores”, explicou Mark Boggett, CEO da investidora espacial britânica Seraphim Space.
Pedro Spadoni
Pedro Spadoni é jornalista formado pela Universidade Metodista de Piracicaba. Já escreveu para sites, revistas e jornal.
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Fonte Olhar Digital


