
A corrida por minerais críticos usados em tecnologias de ponta, como celulares, carros elétricos e painéis solares está se intensificando. Países que possuem esses recursos naturais ocupam uma posição estratégica, mas também lidam com riscos ambientais, econômicos e de segurança. O tema está sendo tratado esta semana pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, em Nova Iorque.
Antes do evento, a ministra das Finanças de Moçambique, o país africano que detém reservas expressivas de Grafite, Titanium, Terras Raras, entre outros, falou à ONU News sobre a exploração desses minerais e como a ação será um eixo importante da estratégia de desenvolvimento do país. Carla Alexandra Louveira esteve na sede da ONU para um encontro de Alto Nível sobre Desenvolvimento Sustentável.
Hub de energia verde
“Nós estamos a olhar para Moçambique como uma opção, um destino e uma oportunidade de uso de energias renováveis, uso dos minerais críticos para que Moçambique possa ser, no presente e futuro, portanto, um hub de utilização de alternativas verdes de energia. E Moçambique tem um potencial massivo significativo. Já é conhecido o potencial ao nível das energias fósseis e agora estamos cientes do elevado potencial que Moçambique tem nos minerais críticos. Esse é efetivamente, o trabalho que nós estamos a fazer”.
Em conversa com a ONU News durante o Fórum Político de Alto Nível sobre Desenvolvimento Sustentável, a ministra destacou que os ganhos com esta exploração precisam chegar a todos os segmentos da sociedade e não apenas ao setor privado.
Inclusão das comunidades locais
“Através, portanto, de um processo inclusivo do processo de produção e de ganhos para a sociedade e assim fazendo com que os ganhos resultantes da exploração destes minerais críticos possam catapultar sobretudo as comunidades locais. Portanto, existe aqui um processo de criação de capacidade do conteúdo local, onde a sociedade, as empresas, micro, pequenas empresas a nível do país também possam ter acesso e participar no processo desta produção, dessa exploração massiva que está a acontecer no país”.
Carla Alexandra Louveira explicou que esta abordagem já está sendo posta em prática em relação à exploração de gás natural, com a criação de um Fundo Soberano que destina recursos para financiar as necessidades de desenvolvimento do país ou para responder a crises.
Crianças em uma estrada na cidade de Pemba, Moçambique, que foi devastada pelo ciclone Chido em dezembro de 2024
Recursos naturais colocados à serviço da sociedade
Ela lembrou que o país foi atingido no início deste ano por fortes inundações, que causaram ampla destruição. Nesse contexto, o governo recorreu a recursos adicionais da exploração de gás natural para financiar o processo de reconstrução.
A ministra afirmou que esta é a mesma visão que será adotada em relação aos minerais críticos: os ganhos dos recursos naturais colocados a serviço da sociedade moçambicana.
Ela adicionou que o desafio agora é assegurar que haja estabilidade política, legal e segurança para que a exploração desses minerais ocorra de forma a beneficiar todas as camadas da população.
Fonte ONU


