Nigéria: relatores alertam para casos de violência a cristãos e outras minorias

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Nigéria: relatores alertam para casos de violência a cristãos e outras minorias

Relatores independentes* da ONU informam que grupos extremistas armados estão atuando, no norte da Nigéria, em um ambiente de impunidade marcado por violência sistemática contra cristãos e outras minorias religiosas. 

Em comunicado, os especialistas apontam falhas institucionais e um cenário de medo e coerção que expõe mulheres e crianças a riscos ainda maiores, como sequestros, abusos sexuais e casamentos forçados.

Perseguição religiosa

Para os relatores, existe um ambiente hostil, agravado pela aplicação de interpretações locais da Sharia, a lei islâmica, nos estados do norte da Nigéria. Ali, os cristãos e outros cidadãos sofrem com a imposição de leis contra a blasfêmia, que são aplicadas, muitas vezes, sem critério rigoroso. E os acusados enfrentam dificuldades de acesso à justiça. 

OCHA/Yasmina Guerda
Mulheres atravessam um rio em Rann, estado de Borno, Nigéria

Entre os crimes relatados estão violência sexual, raptos, desaparecimentos forçados, conversões compulsórias ao islamismo e casamentos infantis. 

No comunicado, os especialistas em direitos humanos afirmam que as meninas cristãs figuram entre as mais vulneráveis, sendo alvo de exploração e coerção para atos sexuais em troca de comida ou itens básicos.

Assassinatos e deslocamentos

Esses abusos se inserem em um padrão mais amplo de perseguição que afeta desproporcionalmente seguidores de Jesus Cristo, incluindo ataques a igrejas e aldeias, assassinatos e deslocamentos em massa. 

As pessoas que tentam resistir são ameaçadas, punidas, desaparecem ou são mortas.

Diante desse cenário, os especialistas solicitam que as autoridades nigerianas adotem medidas imediatas para proteger a população. 

Entre as recomendações estão a libertação e o resgate de mulheres e meninas sequestradas, a realização de investigações independentes e imparciais, o indiciamento dos responsáveis e a garantia de reparação e apoio às vítimas e sobreviventes.

Se confirmadas, as alegações configuram violações do direito internacional dos direitos humanos.

A impunidade na Nigéria alimenta ainda mais a violência, afirmaram os relatores. Segundo eles, o governo nigeriano deve agir com urgência para evitar danos irreparáveis e assegurar a responsabilização pelos crimes cometidos.

*Os relatores de direitos humanos são independentes da ONU e não recebem salário pelo seu trabalho.

Fonte ONU

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