Luiz Carlos Barreto, conhecido como Barretão, um dos maiores produtores do cinema brasileiro, morreu nesta quarta-feira (22), aos 98 anos, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada por sua filha, Paula Barreto.
Barreto foi responsável por algumas das obras mais importantes da filmografia nacional, de renomados diretores do cinema novo, como é o caso de “Vidas Secas”, de Nelson Pereira Santos, e “Terra em Transe”, de Glauber Rocha. Em 1976, produziu “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, dirigido pelo seu filho, Bruno Barreto, que atraiu 11 milhões de espectadores no Brasil e que concorreu aos prêmios Bafta, no Reino Unido, ao Globo de Ouro.
Depois, Barreto ainda produziu longas que marcaram a retomada do cinema brasileiro nos anos 1990, como “O Quartilho” e “O Que É Isso, Companheiro?”, que competiu pelo Oscar de filme estrangeiro. A seguir, relembre alguns dos principais filmes produzidos por Barreto.
‘A Hora e a Vez de Augusto Matraga’, de 1965
A primeira adaptação literária para o cinema de Barreto foi dirigida por Roberto Santos e levou para as telonas o conto de mesmo nome de João Guimarães Rosa. A história acompanha um fazendeiro violento que é traído, salvo da morte por pessoas humildes e passa a se dedicar a vida religiosa. O longa foi um marco do cinema novo e competiu pela Palma de Ouro no Festival de Cannes, em 1966.
‘Terra em Transe’, de 1967
Barreto produziu o longa emblemático de Glauber Rocha ao lado do próprio diretor, de Cacá Diegues e Zelito Viana, alguns dos principais nomes do cinema novo. O longa, lançado em plena ditadura militar, acompanha um jornalista idealista que tenta mudar a realidade política do país fictício de Eldorado. O filme também competiu pela Palma de Ouro em Cannes.
‘Dona Flor e Seus Dois Maridos’, de 1976
A essa altura, Barreto já era um produtor experiente e respeitado. Foi ai que produziu uma de seus principais trabalhos, dirigido pelo filho, Bruno Barreto, que se tornaria um dos principais cineastas da retomada das produções nacionais nos anos 1990. A adapação do livro de Jorge Amado foi um sucesso de publico e consolidou Sonia Braga como estrela internacional.
‘Bye Bye Brasil’, de 1979
O filme de Cacá Diegues protagonizado por José Wilker e Betty Faria foi outro marco da década, consolidando a presença do Brasil em Cannes e a reputação cinematográfica do país aos olhos do mundo. O longa segue uma trupe de artistas itinerantes pelo interior do Brasil.
‘O Quartilho’, de 1995
Dirigido pelo outro filho do produtor, Fábio Barreto, o filme adapta outro romance homônimo, dessa vez de José Clemente Pozenato, e foi uma das produções que reanimou a indústria nacional na década de 1990 após o fim da Embrafilme. O longa se tornou a segunda produção brasileira a ser indicada ao Oscar de melhor filme internacional.
‘O Que É Isso, Companheiro?’, de 1997
Com Fernanda Torres, Selton Mello e Pedro Cardoso, o longa de Bruno Barreto colocava na telona uma nova geração promissora de artistas brasileiros. Com ele, o país voltou a ser indicado ao Oscar de filme internacional.
Fonte ==> Uol


