
Apesar do crescimento econômico, o relatório da Comissão Econômica e Social das Nações Unidas para a Ásia e o Pacífico, Escap, alerta para o agravamento das desigualdades sociais na região.
O estudo prevê que a população urbana asiática, que hoje equivale a 54% do total, aumentará 1,2 bilhão até 2050, sem garantia de políticas públicas equalitárias.
Destaque para Timor-Leste
A análise elaborada pelo Banco Asiático de Desenvolvimento, BAD, e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud, destaca o Timor-Leste. A nação figura na classificação da Escap entre Países Menos Avançados, LDCs, e Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento, Sids.
O país registrou diminuição na população vivendo em assentamentos informais no período entre 2013 e 2022, contudo, entre 20% e 30% da população continua habitando esses territórios.
A cobertura de água potável na zona urbana supera 90%, mas o acesso ao saneamento básico para os grupos vulneráveis ainda não atinge a média nacional.
A cobertura de eletricidade também supera mais de 90% das famílias. No entanto, combustíveis e tecnologias limpas não são acessíveis. Enquanto os grupos mais ricos têm alto acesso, outros enfrentam índices extremamente baixos.
Jovens estudantes na Universidade Nacional de Timor-Leste
O abismo urbano
O relatório destaca que, em 2022, a Ásia e o Pacífico abrigavam 697 milhões de moradores em favelas e assentamentos informais, representando 62% do total mundial.
Entre os principais desafios urbanos apresentados no estudo, destaca-se o acesso desigual a serviços básicos.
Embora o acesso à água potável e à eletricidade seja quase universal na maioria dos países, mais de 80% das águas residuais em vários países continuam a ser descartadas sem tratamento.
Também há problemas ambientais e socioeconômicos. Mais de 2,3 bilhões de pessoas na região estão expostas a altos níveis de poluição do ar, sofrendo com o aumento de resíduos sólidos e maior vulnerabilidade a desastres climáticos.
Caminhos para o Futuro
Os trabalhadores urbanos sofrem os impactos na economia, com mais de 60% atuando na economia informal. Eles não têm proteção social ou estabilidade de emprego e estão concentrados principalmente no setor de serviços, construção civil e manufatura.
A desigualdade urbana não é um efeito inevitável do crescimento, mas sim o resultado de escolhas de políticas e investimentos. Para reverter esse cenário, a Escap e institutos internacionais fazem algumas recomendações.
Superar esses desafios exige a priorização de investimentos em infraestrutura básica e em políticas de inclusão socioeconômica nas áreas urbanas de Timor-Leste.
Segundo o relatório, a ampliação do acesso universal a saneamento seguro e energias limpas colocará o país em uma posição estratégica para transformar suas cidades em destaque no desenvolvimento sustentável.
Para a região da Ásia e o Pacífico, indicam financiamentos na economia verde, integração das comunidades na melhoria dos assentamentos informais e a transição gradual dos trabalhadores para a formalidade.
Fonte ONU


