Antes do conflito, uma interpretação

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Leandro Pereira

Nem todo conflito começa com uma agressão.

Alguns começam com uma interpretação.

Há um episódio antigo, registrado em 1 Crônicas 19, que mostra isso com precisão.

Após a morte de um rei aliado, Davi envia representantes para prestar condolências ao sucessor.

O gesto era diplomático.

Os conselheiros do novo rei, porém, interpretaram de outra forma.

Disseram que aqueles homens estavam ali para observar, investigar, preparar algo.

O sucessor acreditou nessa leitura.

Reagiu ao que imaginava estar acontecendo.

E uma relação que poderia ter permanecido estável entrou em conflito.

O ponto interessante não está na religião.

Está no mecanismo.

Entre o fato e a reação, houve uma interpretação.

E essa interpretação alterou tudo.

Nas organizações, isso acontece com frequência.

Um cliente muda de comportamento.

Um parceiro adia uma decisão.

Um executivo faz uma pergunta mais dura.

Uma área não responde como esperado.

Um concorrente se movimenta.

O acontecimento é um.

As leituras possíveis são muitas.

Existe uma diferença enorme entre observar um fato e atribuir intenção a ele.

É justamente nesse intervalo que conselhos, percepções e narrativas começam a ganhar peso.

Alguém diz:

“Isso significa resistência.”

Outro diz:

“Isso é falta de confiança.”

Outro conclui:

“Estão tentando nos tirar do jogo.”

A partir daí, o comportamento muda.

A postura muda.

O tom muda.

E a própria relação começa a responder à interpretação que foi construída.

O mais curioso é que nem sempre existe má intenção em quem aconselha.

Cada pessoa lê a realidade a partir do próprio repertório.

Experiências anteriores.

Medos.

Incentivos.

Convicções.

Histórias que já viveu.

Por isso, duas pessoas podem observar exatamente o mesmo acontecimento e enxergar coisas completamente diferentes.

O Executivo Nexialista presta atenção a esse intervalo entre acontecimento e significado.

Não para desconfiar de todos.

Mas para não permitir que uma leitura seja confundida com o próprio fato.

O que aconteceu?

O que estamos supondo?

Que evidência sustenta essa interpretação?

Que outra leitura seria possível?

Essas perguntas parecem simples.

Mas são capazes de mudar decisões relevantes.

No episódio de Davi e Hanum, um gesto diplomático foi interpretado como ameaça.

A reação veio antes da verificação.

O resto foi consequência.

Alguns conflitos começam por incompatibilidade real.

Outros começam no instante em que uma interpretação ocupa o lugar da realidade.

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Leandro Pereira
Leandro Pereira é executivo de Gestão e Transformação Digital, com mais de 15 anos de experiência liderando iniciativas estratégicas que conectam tecnologia, dados e performance de negócios. É engenheiro de Automação, com MBA em Gestão de Negócios, Fusões e Aquisições e Gestão de Projetos, e atualmente cursa formação executiva em CAIO (Chief Artificial Intelligence Officer) pela University of Maryland. Atua em contextos de alta complexidade, como pós-M&A, excelência comercial, inteligência de mercado e transformação organizacional, sempre com foco em resultados mensuráveis. Ao longo da carreira, construiu e escalou modelos de gestão, estruturas de BI, plataformas digitais e soluções baseadas em Inteligência Artificial aplicadas à tomada de decisão, produtividade e crescimento sustentável. Reconhecido por integrar pessoas, processos e tecnologia, Leandro defende que a inovação só faz sentido quando resolve problemas concretos e melhora a performance do negócio, princípio que orienta sua trajetória como líder e agente de mudança.

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