
A resposta ao surto do vírus bundibugyo na República Democrática do Congo, RD Congo, enfrenta um momento crucial, segundo a Organização Mundial da Saúde, OMS.
A chefe da Unidade de Cuidados Seguros e Escaláveis do Programa de Emergências de Saúde na agência, Janet Diaz, retornou recentemente do país africano, depois da segunda visita técnica realizada desde o início do surto.
Desafios no acesso e barreiras ao atendimento
Em Genebra, Janet Diaz afirmou a jornalistas que, embora se registre uma baixa transmissão em algumas regiões, o número total de infecções continua alto.
Um dos maiores obstáculos no combate à doença continua sendo a alta taxa de mortalidade nas comunidades. Muitas pessoas continuam perdendo a vida em casa por não conseguirem chegar a tempo às unidades de saúde. Segundo as autoridades congolesas, o país registou 8.067 casos confirmados de ebola e 3.901 mortes.
Profissional de saúde administra uma injeção a um membro da equipe de resposta a emergências sob forte cobertura da mídia em uma tenda de campanha.
Janet Diaz destacou que os atrasos na busca por atendimento médico, combinados com severas dificuldades de transporte e falhas no sistema de encaminhamento de pacientes, complicam a resposta sanitária de forma substancial.
Estreita colaboração
Durante uma missão de cinco semanas em Bunia, Janet Diaz visitou diversos centros de tratamento localizados nos epicentros do surto, trabalhando em estreita colaboração com o Ministério da Saúde da RD Congo e parceiros internacionais.
O foco principal tem sido fortalecer o diagnóstico precoce, agilizar os sistemas de transferência urgente e garantir apoio imediato logo na fase inicial da infecção.
Apesar das adversidades no campo, a especialista da OMS disse que a ação com parceiros implementou medidas de grande impacto para reforçar a prestação de cuidados aos pacientes.
Capacidade de resposta
A capacidade de atendimento foi expandida para mais de 1,6 mil leitos distribuídos por 50 centros de tratamento especializados, estando planejado um aumento até alcançar mais de 2 mil.
Além de assegurar o acesso totalmente gratuito ao atendimento de saúde e a disponibilização de refeições aos pacientes internados, a OMS criou um centro de capacitação em Bunia, epicentro do ebola, que já treinou quase 400 profissionais de saúde locais.
Além da fase aguda da doença, foi um programa para sobreviventes para acompanhar a recuperação física e bem-estar a longo prazo, enquanto são acelerados os ensaios clínicos para avaliar novas opções terapêuticas e de profilaxia.
Oxigênio medicinal
A administração de oxigênio medicinal é um componente vital e salvador nos cuidados de suporte a pacientes com ebola. No entanto, a capacidade de fornecer oxigênio em escala depende diretamente da robustez do sistema de saúde preexistente.
No epicentro, em Bunia, o uso de dispositivos de fluxo de oxigênio permitiu suprir as necessidades imediatas. Contudo, em áreas com recursos mais limitados, a entrega contínua é severamente prejudicada pela ausência de rede elétrica confiável, água potável e infraestrutura de saneamento.
Em antecipação às celebrações do Dia Mundial do Oxigênio, em 2 de outubro, a OMS fez um apelo por um investimento global renovado e sustentável nos sistemas de oxigênio medicinal.
Fortalecer essa infraestrutura, capacitar pessoal especializado e garantir cadeias de distribuição confiáveis são passos indispensáveis para assegurar que qualquer paciente, em qualquer lugar, receba o atendimento de que precisa.
Fonte ONU


