“Desorganização” foi a palavra na boca dos visitantes desta segunda (7) de Bienal do Livro, em São Paulo. O feriado levou muitos pais e filhos ao Distrito Anhembi para acompanhar uma programação majoritariamente voltada aos pequenos.
Maidy Lacerda, sensação da internet que se tornou sucesso literário com a série “O Diário de uma Princesa Desastrada”, arrastou multidões. Sua mesa no início da tarde foi a mais cheia do dia. A entrada era baseada não em fila, mas em quem conseguia abrir espaço entre a aglomeração de pessoas e quem definia quem avançava adiante era a própria multidão.
Enquanto as pessoas no entorno da mesa se empurravam, Lacerda não completava duas frases sem ser interrompida por gritos eufóricos dos fãs. Até mesmo as perguntas do mediador Felipe Brandão eram seguidas por gritos. No pouco que foi falado durante o encontro, Lacerda deu spoilers do próximo livro e estimulou os leitores a se tornarem escritores.
Depois do começo da mesa, o próprio evento passou a liberar apenas a entrada dos pequenos no espaço do auditório. Havia o coro de “deixem as crianças passarem”, cumprido pela maioria da multidão, mas não por todos. Filhos nos ombros dos pais tentavam ter um vislumbre de Lacerda enquanto pais tentavam ter um vislumbre de seus filhos dentro do cercado. Muitos reclamavam do calor e do espaço apertado.
O caos continuou quando a mesa acabou. Mesmo com o reforço de seguranças e com a tentativa de organizar a saída, pais tiveram que se empurrar e gritar pela atenção dos controladores para conseguir reencontrar seus filhos. O espaço de autógrafos mal indicado levava muitas pessoas perdidas à Arena Cultural –misturando a saída de pais e filhos com os leitores que queriam autógrafos e os que já formavam fila para a próxima mesa.
Muitos visitantes ainda usavam esse momento para se aproximar dos seguranças e tirar dúvidas sobre o evento –grande parte deles atrás de Maidy Lacerda, mesmo uma hora depois de a autora já ter se despedido.
A organização fez uso também de megafones para ajudar pais a encontrarem seus filhos perdidos.
As mesas seguintes atraíram crianças mais velhas e adultos nostálgicos. Depois da breve apresentação de um trecho do musical “Fala Sério, Mãe”, a autora Thalita Rebouças se encontrou com,Pedro Bandeira, Nelson Luiz de Carvalho e Maria Mariana para um papo sobre adolescência e livros que são “máquinas do tempo”, como disse a autora de “Confissões de Adolescente”.
Bandeira, autor da “Droga da Obediência”, falou da importância da desobediência típica dessa fase. “É o que permite à sociedade voar.” E completou: “A ordem tem que ser quebrada o tempo todo”.
A mediadora Maria Fernanda Rodrigues usou o encontro para contar um pouco da história da Bienal do Livro. Enquanto Pedro Bandeira participa do evento desde quando era frequentado em grande maioria por professores, alunos e pais, Rebouças fez parte da transformação em um encontro de fãs. A autora demonstrou isso ao fim da mesa, quando atendeu leitores e autografou livros ainda no palco.
A tarde terminou com uma programação para adultos no encontro entre Nàna Páuvoli, Lola Belluci e a misteriosa Zoe X, regado a palavrões.
Todas são autoras do gênero “dark romance” e escrevem sob pseudônimos. Em sua versão mais extrema, esse tipo de história faz da violência entretenimento e fonte de prazer.
Páuvoli, a autora mais veterana da mesa, explicou o sucesso dos livros dizendo que “o proibido é mais gostoso”. As regras, segundo ela, ficam na vida real.
Belluci apontou que as fantasias das histórias vão além do desejo e do sexo. Citando tramas em que mocinhas em perigo vivem romances com CEOs e ricaços, ela disse que o “dark romance” cria também fantasias de poder, cuidado e notabilidade. “A gente está falando de enobrecimento e enriquecimento feminino.”
Diferente do mundo real, as autoras concordaram que os livros são um lugar seguro, onde as mulheres não precisam ter medo de homens. “Eu só confio nesses homens porque sou eu que escrevo eles”, disse Zoe X.
A 28ª edição da Bienal do Livro continua até o domingo, 13 de setembro.
Fonte ==> Uol


