Liderança não manda. Indica o caminho

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Myrinha Vasconcellos em ambiente corporativo, representando liderança, experiência e confiança.
Myrinha Vasconcellos aborda a liderança como exercício de orientação, confiança e desenvolvimento de pessoas, capaz de transformar equipes e construir autonomia.

Há uma diferença silenciosa, e profunda, entre ocupar um lugar de autoridade e exercer, de fato, uma liderança.

Muitas vezes, quem mais se preocupa em mandar é justamente quem menos sabe mostrar como fazer.

A frase pode parecer provocadora. E talvez até seja. Entretanto, ela nos convida a refletir sobre uma confusão ainda frequente nas organizações: acreditar que liderança nasce de um cargo, de uma posição hierárquica ou do poder de determinar o que outras pessoas devem fazer.

Cargo confere autoridade formal. Liderança exige muito mais.

Exige capacidade de orientar, escutar, inspirar confiança, estabelecer métodos, criar condições para que as pessoas desenvolvam suas competências e, principalmente, fazê-las compreender que são parte essencial do resultado que está sendo construído.

Durante minha trajetória profissional, aprendi que pessoas não precisam de alguém permanentemente dizendo o que devem fazer. Precisam compreender por que fazem, para quem fazem e qual é a importância de sua contribuição para aquilo que todos desejam alcançar.

Quando essa compreensão acontece, algo poderoso se transforma: o trabalho deixa de ser apenas execução e passa a ser pertencimento.

Foi assim que sempre procurei exercer liderança.

Nunca acreditei que resultados extraordinários pudessem ser construídos pela força de uma ordem. Ao contrário: sempre preferi reunir pessoas, compartilhar objetivos, estabelecer caminhos, orientar, acompanhar, corrigir rotas quando necessário e, sobretudo, permitir que cada integrante da equipe percebesse sua participação na conquista.

Em uma grande entidade de previdência, na qual fui gestora de relacionamento, vivi experiências que consolidaram definitivamente essa convicção.

Ao assumir a gestão, a Central de Relacionamento, cuja Pesquisa de Satisfação registrava 51%, não encontrei uma equipe que precisasse simplesmente receber novas ordens. Encontrei pessoas que precisavam compreender o propósito da transformação que desejávamos realizar.

Criamos métodos. Revimos processos. Conversamos. Escutamos. Estabelecemos objetivos. Acompanhamos resultados. Corrigimos o que precisava ser corrigido e valorizamos cada avanço.

Não havia o resultado de uma gestora e o resultado de uma equipe.

Havia o nosso resultado… de todos.

Em apenas dez meses, os indicadores mostravam mudanças significativas. Em dezoito meses, alcançamos mais de 98% na Pesquisa de Satisfação.

A mesma compreensão esteve presente na gestão de uma Carteira de Empréstimos. Quando assumi a gerência, havia uma inadimplência preocupante. Graças à equipe, ações foram implementadas, o que nos permitiu chegar à segunda maior rentabilidade financeira da entidade. Números dessa dimensão não são produzidos por uma pessoa sentada em uma cadeira de comando. São consequência de estratégia, método, conhecimento, confiança, acompanhamento e responsabilidade compartilhada.

É justamente aí que liderança e comando começam a seguir caminhos diferentes.

Quem apenas manda pode até conseguir obediência. Porém, obediência, sozinha, dificilmente produz pertencimento. E pessoas que apenas cumprem ordens entregam aquilo que lhes foi solicitado; pessoas que compreendem o propósito podem descobrir maneiras de entregar muito mais.

O cargo pode garantir obediência. A liderança conquista compromisso.

Isso não significa que o líder precise saber fazer tudo melhor do que todos. Uma equipe de excelência é formada justamente por diferentes competências, experiências e talentos. Liderar também significa reconhecer que alguém pode saber mais do que você sobre determinado assunto e ter inteligência e segurança suficientes para permitir que esse conhecimento floresça.

O verdadeiro líder não diminui quando alguém de sua equipe cresce.

Ele cresce junto.

Por isso, liderar pelo exemplo não significa apresentar-se como modelo de perfeição. Significa demonstrar coerência entre discurso e prática; assumir responsabilidades; ouvir antes de decidir; reconhecer erros; valorizar acertos; oferecer direção sem retirar autonomia.

Significa também entender que método não é engessamento. Um bom método organiza o caminho, mas preserva espaço para inteligência, criatividade e iniciativa.

Talvez uma das maiores conquistas de uma liderança seja justamente tornar-se, progressivamente, menos necessária para as decisões cotidianas da equipe.

Pode parecer um paradoxo, mas não é.

O líder que centraliza tudo constrói dependência. O líder que desenvolve pessoas constrói continuidade.

Quando o conhecimento circula, quando as pessoas aprendem a decidir, quando compreendem os princípios que orientam suas escolhas e quando assumem responsabilidade pelos resultados, a liderança deixa de estar concentrada em uma pessoa e passa a fazer parte da cultura.

E é nesse momento que o sucesso ganha uma dimensão maior.

Porque resultados podem impressionar durante algum tempo. Pessoas preparadas para continuar produzindo resultados constroem legado.

Talvez seja essa a medida mais bonita de uma liderança: não quantas pessoas aprenderam a obedecer às suas determinações, mas quantas cresceram suficientemente para pensar, decidir, criar, assumir responsabilidades e, um dia, também indicar caminhos.

Liderança, portanto, não é o exercício permanente de estar à frente.

É saber caminhar ao lado enquanto necessário, indicar a direção quando houver dúvida e, pouco a pouco, permitir que cada pessoa descubra a própria capacidade de avançar.

Porque liderança que verdadeiramente transforma não cria seguidores dependentes.

Forma pessoas capazes de seguir adiante.

E, talvez, seja exatamente aí que o líder descubra que cumpriu sua missão:

O verdadeiro resultado de uma liderança aparece quando as pessoas já não precisam que o líder mantenha a lanterna acesa, porque aprenderam a iluminar, com autonomia, o próprio caminho para o sucesso.

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