Milo J estreia no Brasil em show no Rock in Rio – 12/09/2026 – Ilustrada

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Milo J estreia no Brasil em show no Rock in Rio - 12/09/2026 - Ilustrada

Quando faltavam uns dez minutos para o show de Milo J no Rock in Rio, apenas umas poucas centenas de pessoas esperava pelo cantor argentino. Mas a maioria desse público não parava de gritar o nome do artista, que fez seu primeiro show em solo brasileiro.

Esses fãs também estavam com as músicas de Milo J na ponta da língua, e cantaram junto dele em toda a apresentação. A plateia também foi reunindo curiosos e quando chegou ao fim, cerca de 50 minutos depois, já podia ser chamada de multidão.

Atração do palco Supernova, um dos menores do festival, Milo J cantou às 18h deste sábado (12), o sexto dia do Rock in Rio 2026, que começou na sexta-feira (4) da semana passada e vai até domingo (13). A programação do dia dele tem também J Balvin, Demi Lovato e Maroon 5, entre outros.

Nova sensação da música argentina, Milo J tem apenas 19 anos e ascendeu à fama rapidamente com o disco “La Vida Era Más Corta”, lançado no segundo semestre do ano passado. E também depois de uma participação no programa Tiny Desk, do YouTube.

Seu álbum mais recente segue a linhagem de Bad Bunny em seu “Debí Tirar Más Foto”, dando um tratamento contemporâneo a influências de música argentina tradicional. Foram dele as performances mais celebradas do show no Rock in Rio, incluindo a sequência inicial, com “Bajo de la Piel” e “Solifican12” —esta, que trata dos “marrons” argentinos.

A exaltação da mestiçagem e dos povos não brancos, incluindo indígenas, da Argentina é uma das bandeiras do cantor. Milo se define como um marrom, termo que também é usado de maneira pejorativa em seu país de origem, e ancora sua música nessa tradição.

Quase na metade, ele se apresentou aos brasileiros. “Para quem não me conhece, me chamo Milo J. Isso é um pouco do meu último álbum, que se chama ‘La Vida Era Más Corta'”, disse, antes de puxar “Hmmm”, um épico levado por violão e violino que deixou a plateia com olhos e ouvidos vidrados no palco.

As canções do último disco estavam na boca dos fãs no Rio de Janeiro. Foi assim na sequência com “Recordé”, “Cuando el Agua Hirviendo”, “Lucia” e “Hmmm”, e depois com “Niño”, “Luciérnagas” —do refrão suave “te veo, te sueño, te extraño”, cantado pelos brasileiros— e “Gil”, entre outras.

Nesses momentos, ele brilhou com seu canto grave —que aliás lembra o timbre de João Gomes, atração do mesmo dia neste Rock in Rio— por cima de uma banda acústica recheada de percussão e instrumentos tradicionais da Argentina. Na outra parte do repertório, mostrou suas rimas por cima de bases de trap —o estilo que ele defendia de maneira mais fiel até o último álbum.

Milo J representa um outro lado da ascensão da música latina no mundo, depois de anos de sucesso do reggaeton —estilo característico do colombiano J Balvin, que toca neste Rock in Rio, logo depois do argentino, no palco Mundo. Se o gênero de batidas eletrônicas é a cara de uma América Latina urbana e conectada com o hip-hop, a música de Milo J busca nas raízes os insumos para tratar de identidade, pertencimento e sentimentos existenciais.

Isso não significa que ele não dialogue com o rap —muito pelo contrário. Milo J mostrou no Rock in Rio sua habilidade de construir canções alinhadas ao espírito do tempo, rimando sobre as harmonias mais clássicas e cantando também sobre amor e relacionamentos —como em “Olimpo”, balada rap que sampleia o funk “Eu Só Comi Ela Uma Vez”, de DJ VN Maestro com o MC G DS.

Um tanto tímido, Milo J cumprimentou e agradeceu à recepção quente que teve no Rock in Rio. “Sou de outro país, isso é uma loucura. Vamos desfrutar”, disse, já no fim do show, em que botou o público para dançar com “Rara Vez”, em que usou o verso “te sigo amando” para se declarar aos brasileiros.

O argentino tem dois shows agendados em São Paulo nos próximos dias.



Fonte ==> Uol

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