Com o Nobel de Literatura a ser anunciado na manhã desta quinta (8) pela Academia Sueca, o momento é de especulações.
Entre tantos cotados, só é possível saber que não existe fórmula capaz de antecipar o vencedor. Mas, ao observar mais de um século de laureados, algumas coincidências chamam a atenção.
A partir dos 122 vencedores do prêmio, é possível montar um retrato do laureado típico: ele é um homem europeu —provavelmente fala francês ou inglês—, branco, na casa dos 60 anos e, curiosamente, libriano.
Desde 1901, essas são algumas das características que o prêmio privilegia, propositalmente ou não. Mas o Nobel tem adorado contrariar seu próprio padrão. Só nos últimos anos, a sul-coreana Han Kang, a canadense Alice Munro e o chinês Mo Yan fugiram a esse retrato.
O mapa do Nobel é, sobretudo, europeu. A Europa Central e Ocidental concentra 41 vencedores, enquanto os países nórdicos somam outros 16. Há apenas um autor associado à Oceania, Patrick White, que, apesar de ter se tornado o primeiro australiano a ganhar o prêmio, nasceu em Londres. Os africanos são apenas cinco —média de um a cada 25 anos.
A França é a nacionalidade com mais vitórias: são 15 escritores premiados. Em seguida aparecem o Reino Unido, com 10, e os Estados Unidos e a Alemanha, com 9 —em contas que consideram também autores radicados e naturalizados nesses países.
Os latino-americanos venceram seis vezes, sendo o Chile o maior ganhador da região, com dois laureados: Gabriela Mistral, a única mulher latina do rol, em 1945, e Pablo Neruda em 1971.
São apenas 18 mulheres vencedoras frente a 104 homens. A americana Toni Morrison, vencedora em 1993, é a única mulher negra a receber o Nobel de Literatura. E o egípcio Naguib Mahfouz, premiado em 1988, é o único autor árabe.
O inglês é o idioma que aparece mais vezes entre as obras premiadas. Ainda assim, a maioria dos vencedores escreve ou escreveu em sua língua materna —o que faz do Nobel um prêmio menos restrito linguisticamente do que pode parecer à primeira vista.
Enquanto inglês, francês e alemão são os idiomas preferidos do prêmio, há muitos lembrados apenas uma vez, como turco, bengali, islandês e coreano. O único escritor de língua portuguesa a vencer o Nobel foi o lusitano José Saramago, em 1998.
Os números apontam ainda que autores na faixa dos 60 anos têm mais chances de levar —foram 39 ao longo de 122 anos de história.
O mais jovem foi o britânico Rudyard Kipling, que chegou ao Nobel aos 41 anos em 1907. Já a mais velha foi a também britânica Doris Lessing, elevada a Nobel em 2007, aos 87 anos. Apenas sete octogenários venceram o Nobel.
O prêmio só foi entregue de maneira póstuma uma vez, em 1931, ao sueco Erik Axel Karlfeldt. Depois disso, uma regra determinou que o Nobel só pode ser dado a autores vivos —com a exceção de morte entre o anúncio e a entrega da medalha.
Uma saída mais promissora para tentar prever um Nobel é mirar as tendências de mercado, das casas de apostas e também dos dados mais recentes. Neste século, por exemplo, a diferença entre homens e mulheres tem diminuído.
Se até 2000 elas eram pouco mais de 9% dos vencedores, desde 2001 representam 36%. Há até uma regra não escrita, desde o escândalo sexual sem precedentes que pausou o Nobel em 2018, de intercalar um ganhador homem e uma mulher.
Os autores de fora da Europa também são mais de um terço dos laureados neste século. E, desde 1987, ninguém com menos de 50 anos levou o prêmio. Os librianos, no entanto, seguem sendo maioria.
Outro indicativo tem sido o prêmio Booker. Desde 2021, com a vitória do tanzaniano Abdulrazak Gurnah, todos os laureados com o Nobel já haviam sido finalistas ou vencedores do troféu britânico.
Fonte ==> Uol


