Especialista Rodrigo Afonso alerta que empresários precisam avaliar liquidez, governança e preparo dos herdeiros antes de escolher instrumentos como holdings, testamentos e seguros
As discussões em torno da reforma tributária e de possíveis mudanças na tributação das heranças aumentaram o interesse dos brasileiros pelo planejamento sucessório. Para especialistas, porém, limitar o tema à redução de impostos pode deixar de fora uma questão central: a capacidade de empresas e patrimônios continuarem funcionando e cumprindo seu propósito na ausência de quem os construiu.
Para Rodrigo Afonso, especialista em planejamento patrimonial, sucessório e proteção financeira, a principal pergunta a ser feita por empresários e investidores é se aquilo que construíram está, de fato, preparado para continuar sem a presença deles.
“Durante muito tempo, o planejamento sucessório parecia um assunto distante da realidade de muitos empresários e acabava sendo discutido apenas diante de algum evento familiar importante ou quando o patrimônio já estava bastante consolidado. Hoje existe mais atenção ao tema, o que é positivo, mas sucessão não pode ser resumida a uma discussão tributária”, afirma.
Segundo o especialista, antes da escolha de qualquer instrumento jurídico ou financeiro, é necessário identificar os problemas que precisam ser resolvidos. Entre os pontos que devem ser avaliados estão a existência de liquidez para enfrentar uma sucessão sem comprometer a empresa, a definição de quem assumiria as principais decisões, o preparo dos herdeiros e a organização dos ativos para que continuem exercendo sua função.
“Antes de discutir holding, testamento, previdência privada ou seguro de vida, é preciso fazer um diagnóstico. Quando essas respostas começam a aparecer, fica claro que nenhuma ferramenta consegue resolver tudo sozinha”, explica Afonso.
Cada instrumento pode exercer uma função diferente dentro do planejamento. A holding pode contribuir para a organização da governança patrimonial, enquanto o testamento permite formalizar determinadas vontades do titular. A previdência privada pode integrar uma estratégia de formação patrimonial de longo prazo e o seguro de vida pode fornecer liquidez para a família, ajudar na preservação do capital de giro da empresa, viabilizar acordos societários ou evitar a venda precipitada de ativos.
Para Afonso, o resultado depende justamente da integração dessas ferramentas dentro de uma estratégia construída a partir das características de cada patrimônio e de cada família.
“Cada instrumento possui uma finalidade específica. O planejamento começa quando deixamos de procurar uma solução única e passamos a construir uma estratégia de acordo com aquilo que efetivamente precisa ser protegido”, destaca.
O especialista ressalta ainda que produtos financeiros ligados à proteção patrimonial também exigem avaliação técnica. Aspectos como a solidez da instituição responsável, a estrutura da solução escolhida e a experiência de quem realiza o diagnóstico devem ser considerados antes da contratação.
Na avaliação de Afonso, uma mudança de perspectiva também ajuda a compreender a importância do planejamento sucessório. Mais do que simplesmente transferir bens entre gerações, o processo deve buscar preservar a capacidade daquele patrimônio de continuar produzindo segurança, renda ou sustentação para empresas e famílias.
“Sucessão não é apenas transferência de bens. É preservar a capacidade que aquele patrimônio tem de continuar cumprindo seu propósito. Por isso, gosto de dizer que sucessão patrimonial é, acima de tudo, um problema de continuidade”, conclui Rodrigo Afonso.
Sobre Rodrigo Afonso
Rodrigo Afonso é especialista em planejamento patrimonial, sucessório e proteção financeira, com atuação voltada a empresários e investidores.


