Vírus gigante descoberto no Japão desafia as teorias da evolução

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Vírus gigante descoberto no Japão desafia as teorias da evolução

Pesquisadores da Universidade de Ciência de Tóquio, no Japão, anunciaram a descoberta do furtivovírus, vírus gigante que infecta amebas e traz revelações cruciais sobre a evolução biológica. O achado ajuda a compreender como esses organismos incomuns se diversificaram e como interagem com suas células hospedeiras, o que abre perspectivas sobre a origem da vida complexa na Terra.

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Com um genoma de aproximadamente 560 mil pares de bases, o vírus adota uma estratégia única de replicação ao invadir e romper a membrana do núcleo celular para se multiplicar em seu interior. A análise genética detalhada do patógeno levou os cientistas a proporem a criação de uma família viral, batizada de “Manesviridae”, modificando a classificação atual dos vírus gigantes.

Furtivovírus redefine árvore evolutiva e desafia o que sabíamos sobre vírus gigantes

O furtivovírus foi isolado a partir de amostras de água doce coletadas em Kamakura, no Japão, e cultivado em laboratório utilizando a ameba Vermamoeba vermiformis como hospedeira. 

Com cerca de 200 nanômetros de largura, ele está entre os menores integrantes do grupo dos vírus gigantes, os quais podem chegar a dimensões dez vezes maiores. O primeiro membro conhecido desse grupo, o Mimivirus, passou 11 anos classificado erroneamente como bactéria antes de ter sua natureza viral reconhecida em 2003.

Vírus mimivírus gigantes sendo produzidos dentro da ameba Acanthamoeba castellanii
Mimivírus sendo produzidos dentro da ameba Acanthamoeba castellanii – Imagem: International Committee on Taxonomy of Viruses – ICTV

O grande diferencial do furtivovírus está na sua forma de ataque ao hospedeiro. Ele depende do núcleo da célula para se replicar. Mas, ao contrário do medusavírus (se multiplica dentro de um núcleo intacto), o novo vírus desfaz a membrana nuclear. 

Ele também se diferencia do ushikuvírus, que destrói o núcleo por completo para criar zonas de replicação no citoplasma. O furtivovírus destrói a membrana de forma parcial, fabricando suas partículas diretamente no nucleoplasma, a região fluida onde o DNA celular é processado.

“Ao comparar três vírus que utilizam o núcleo celular de maneiras diferentes […] podemos ver a via evolutiva de interação entre o núcleo celular e esses novos vírus”, explicou o professor Masaharu Takemura, da Universidade de Ciência de Tóquio, em comunicado publicado pela instituição.


Os vírus gigantes chamam a atenção da ciência porque carregam uma quantidade surpreendente de material genético. Isso permite que eles executem processos que vírus comuns delegam totalmente aos hospedeiros. 

vírus influenza
Descoberta do furtivovírus também contesta classificação anterior que posicionava linhagem na ordem Pandoravirales – Imagem: Pressmaster/Shutterstock

Alguns deles possuem genes associados à vida celular complexa, responsáveis pela fermentação de açúcar, além de instruções para a formação de histonas e do citoesqueleto

Existem duas hipóteses principais para o tamanho desses genomas: 

  • Acumularam material genético de seus hospedeiros ao longo do tempo;
  • Evoluíram de ancestrais mais complexos que sofreram redução genômica.

A descoberta do furtivovírus, publicada no Journal of Virology no começo de maio, também contesta uma classificação anterior que posicionava essa linhagem dentro da ordem Pandoravirales, visto que os cientistas identificaram que não há material genético compartilhado suficiente para sustentar esse agrupamento. 

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Em vez disso, a nova família Manesviridae surge como um grupo irmão de Mamonoviridae. Essa forte dependência do núcleo celular reacende os debates sobre a teoria de que o próprio núcleo das células complexas (eucarióticas) pode ter se originado a partir de vírus antigos no passado remoto.

(Essa matéria também usou informações do IFLScience.)

Pedro Spadoni

Pedro Spadoni

Pedro Spadoni é jornalista formado pela Universidade Metodista de Piracicaba. Já escreveu para sites, revistas e jornal.

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Fonte Olhar Digital

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