A rara beleza do Ser Humanizado: quando o coração aprende a falar

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Myrinha Vasconcellos em momento de contemplação, iluminada pela luz natural, em reflexão sobre a beleza do ser humanizado.
A verdadeira raridade está naquilo que carregamos por dentro e na luz que somos capazes de deixar no coraçã

(Inspirada na reflexão Seja Raro, de Carol Cardoso Moya)

Há momentos na vida em que o universo nos presenteia com gestos de uma delicadeza quase sagrada. Recebi recente e inesperadamente uma mensagem de um grande e estimado amigo. Não se tratava apenas de palavras soltas em uma tela, mas do transbordar de uma alma sábia que soube, com extrema sensibilidade e encantamento, deixar o próprio coração falar. Ao ler aquele texto, senti um calor imediato no peito, uma gratidão profunda por perceber que a verdadeira grandeza humana reside naquilo que é invisível aos olhos apressados do mundo.

Ao receber essa manifestação tão sensível, minha primeira reação foi de profunda felicidade e reconhecimento. O texto de Carol Cardoso Moya, que me foi enviado, trazia versos de uma sabedoria singular:

“Seja raro. Mas não pelos bens que carrega, nem pelos aplausos que recebe. Seja raro pelo que habita dentro de você. Pela forma como enxerga o mundo, pela forma como trata o outro. Tem gente que brilha por ostentação. Mas há aqueles cuja luz vem de dentro, e esses, ah… esses são inesquecíveis!”

A grandeza dessa mensagem não está apenas em sua poesia, mas no fato de ter sido chancelada e enviada por alguém que, como um sábio, ratificou aquelas palavras com a própria vida. A autora do pequeno texto foi grandiosa na sua maneira sutil de impactar o meu coração. É preciso ser sábio para permitir que o coração fale com tanta beleza e encantamento. A generosidade desse amigo querido e a sutileza com que ele tocou meu ser me lembraram que a verdadeira elegância da alma está na luz que ela acende no caminho dos outros sem cobrar nada em troca…nesse particular, o amigo querido sabe agir com maestria.

Costumo dizer e defender que: só enxergamos no outro aquilo que carregamos em abundância dentro de nós mesmos. O olhar não é apenas uma janela para fora; é um espelho do nosso mundo interior. Quem cultiva a generosidade e a empatia consegue enxergar a beleza sutil que habita em cada ser. Em uma época em que o ter frequentemente se sobrepõe ao ser, ser raro tornou-se um ato de coragem e sabedoria. Ser raro não é, e jamais pode ser, um lugar comum. Raros são aqueles que não se deixam anestesiar pelo tom cinzento da rotina, aqueles que mantêm intacta a capacidade de se emocionar, de acolher e de transformar contatos em conexões genuínas.

A maior potência do ser humano não reside em conquistas externas, títulos ou aplausos efêmeros. Tudo o que precisamos para evoluir, para nos tornarmos versões cada vez mais luminosas de nós mesmos, já habita no nosso interior. Tudo está dentro de nós, e temos condições de sermos cada vez melhores, basta que para isso “deixemos o nosso coração falar”.

Minha gratidão por essa mensagem é imensa, pois ela reforçou a minha certeza de que o ser humano carrega um potencial infinito de luz, quando escolhe agir a partir do amor e do encantamento.

Que possamos, todos os dias, ter a ousadia de olhar para dentro, libertar o que temos de mais bonito e reconhecer no outro o brilho sagrado que também carregamos.

Afinal, a verdadeira raridade da vida não está naquilo que acumulamos para que o mundo veja, mas na luz inestimável que deixamos acesa no coração de quem passa por nós.


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