Antoni Gaudí: evento com Leão 14 marca centenário da morte – 03/06/2026 – Ilustrada

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Antoni Gaudí: evento com Leão 14 marca centenário da morte - 03/06/2026 - Ilustrada

Antoni Gaudí foi um arquiteto extraordinário, criador de ícones da Barcelona turística como a Sagrada Família ou o Park Güelll, mas também um fervoroso católico que está cada vez mais perto da beatificação.

Quase cinco milhões de pessoas acessaram no ano passado com ingresso a basílica da Sagrada Família, o monumento pago mais visitado da Espanha. E o restante das obras principais de Gaudí também figura entre as mais procuradas da cidade.

“Era um gênio”, define Xavier Villanueva, arquiteto e diretor da Casa Batlló, que em 2024 recebeu quase dois milhões de visitantes. “Sabia tocar a alma das pessoas. Entrar em uma obra de Gaudí nunca vai te deixar indiferente.”

Dedicado naquela época à sua grande criação, a Sagrada Família, Gaudí morreu em 10 de junho de 1926 aos 73 anos, dias depois de ser atropelado por um bonde quando se dirigia para rezar em uma igreja.

Exatamente um século depois, o papa Leão 14 celebrará na próxima quarta-feira uma missa na monumental basílica que está há mais de 140 anos em construção, em um novo reconhecimento ao arquiteto modernista, proclamado no ano passado “venerável” pelo Vaticano, o passo anterior à beatificação.

Nascido em 1852 em uma família católica de caldeireiros do sul da Catalunha, Gaudí se tornou um dos arquitetos mais requisitados da Barcelona da época.

Empresários e nomes de destaque da alta sociedade não tardaram a encomendar projetos àquele jovem temperamental e com gosto pela natureza que já havia chamado a atenção na universidade.

Mas uma série de mortes de pessoas próximas — em uma família já muito marcada por mortes prematuras — levou esse arquiteto conhecido por seu compromisso com o trabalho, a fé e o catalanismo a realizar um jejum extremo em 1894.

“Não é que Gaudí fosse um ‘bon vivant’, mas vivia interiormente ainda ligado a coisas tão humanas como a vaidade, a ambição. E então, naquele momento, ele começa a colocar seu eu depois de Deus”, diz Armand Puig Tàrrech, sacerdote e teólogo que participou do documento de 1.700 páginas entregue no Vaticano para solicitar sua beatificação.

Sua fé saiu fortalecida daquela crise e, a partir de então, Gaudí apostou em um estilo de vida austero, quase místico, no qual alguns seguidores acreditaram reconhecer o proceder de um santo.

“Se você vir sua trajetória, irá notar que é um homem de Deus”, indica José Manuel Almuzara, que em 1992 fundou junto com outros quatro companheiros a Associação Pró-Beatificação Antoni Gaudí.

Desde então, eles se dedicaram a difundir a vida e a obra do arquiteto, assim como a recolher testemunhos de pessoas que afirmam ter recorrido a ele em momentos de dificuldade.

Atualmente a comissão médica do Vaticano estuda a cura de um menino doente cuja família invocou o criador catalão como possível milagre, necessário para proclamá-lo beato.

“Nossa missão não era ter sócios, mas ter pessoas que rezassem a Gaudí, que descobrissem Gaudí: não somente o arquiteto genial, mas um cristão com virtudes”, diz Almuzara.

Com um gênio difícil que nunca conseguiu domar, Gaudí, que sempre foi solteiro, detestava os bajuladores e até se recusava a posar para fotografias, segundo dizem seus biógrafos.

Um enorme contraste com os milhões de pessoas que visitam suas obras todos os anos, e que transformaram seu nome em um lucrativo atrativo do turismo de massa em Barcelona.

“Quando há uma marca sempre, há usos oficiais e depois usos não oficiais que querem aproveitá-la. E também gera muita distorção”, diz Galdric Santana, professor da Escola de Arquitetura da Universidade Politécnica da Catalunha e curador do Ano Gaudí.

No dia 10 de junho, todos os holofotes apontarão novamente para sua obra mais famosa, quando o papa Leão 14 abençoará a torre de Jesus Cristo. Com 172,5 metros, ela transformou há meses a Sagrada Família na igreja mais alta do mundo.

“O milagre mais óbvio para mim é que ele fez um edifício que todo mundo quer conhecer”, diz Gijs van Hensbergen, autor de uma de suas biografias. “Ateus, budistas, gente de todo o mundo, vêm a Barcelona para ver esse milagre de edifício”, diz ele.



Fonte ==> Uol

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