IA acelera a preparação para o Enem, mas aumenta preocupação com perda de pensamento crítico e escrita autoral

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Crédito: Magnific

À medida que cresce o uso de inteligência artificial entre estudantes, especialistas alertam para o risco de uma geração que escreve mais, mas pensa menos; tema ganha força com a aproximação do Enem e dos principais vestibulares do país

A poucos meses do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), marcado para novembro, cresce o uso de ferramentas de inteligência artificial para produzir redações, resumos e respostas prontas. Se por um lado, a tecnologia democratiza o acesso à informação, por outro, levanta um debate cada vez mais urgente entre educadores: até que ponto a IA contribui para o aprendizado ou substituindo habilidades fundamentais, como argumentação, leitura crítica e construção do pensamento?

Para Cris Oliveira, professora, escritora e empresária fundadora da Cris Oliveira – Tudo de Texto – Soluções Educacionais e para Escrita, o momento exige que escolas, famílias e estudantes compreendam que escrever bem nunca foi apenas dominar regras gramaticais.

“O maior risco não é o estudante usar inteligência artificial. O problema começa quando ele deixa de pensar por que a ferramenta entrega algo pronto para ele. A redação dos principais vestibulares continua avaliando repertório, capacidade de análise, conexão entre ideias e posicionamento crítico. Nenhuma dessas competências nasce de um texto gerado automaticamente.”

Segundo a especialista, a preocupação vai além do Enem. Vestibulares como Fuvest, FGV, Insper, Unesp e processos seletivos que incluem provas discursivas seguem valorizando respostas autorais e consistentes, justamente porque elas revelam competências que nenhuma tecnologia consegue comprovar sozinha.

Na prática, professores têm observado um comportamento recorrente entre estudantes: textos aparentemente sofisticados, mas com pouca capacidade de defesa oral das ideias quando questionados. Esse fenômeno, explica Cris Oliveira, evidencia uma dependência crescente de conteúdos prontos.

“O estudante acredita que está economizando tempo, mas pode estar comprometendo justamente a habilidade mais importante para qualquer prova discursiva: organizar o próprio raciocínio. Escrever continua sendo uma forma de aprender.”

Outro ponto de atenção é a formação do repertório. A facilidade de obter respostas instantâneas reduz o hábito da leitura, elemento considerado essencial para interpretar temas contemporâneos e desenvolver argumentos consistentes.

Para a professora, a inteligência artificial deve ocupar um papel semelhante ao de uma calculadora: auxiliar processos, revisar textos, organizar informações e estimular novas perspectivas, porém jamais substituir a construção intelectual do aluno.

“O futuro não pertence a quem sabe usar IA. Pertence a quem consegue fazer perguntas melhores, interpretar informações, conectar conhecimentos e defender ideias próprias. É exatamente isso que vestibulares e o mercado de trabalho continuam procurando.”

Com a intensificação da preparação para o Enem nos próximos meses, especialistas acreditam que o debate sobre autoria, pensamento crítico e uso responsável da tecnologia deve ganhar ainda mais espaço nas discussões sobre educação.

Professora, escritora, empresária fundadora da Cris Oliveira – Tudo de Texto – Soluções Educacionais e para Escrita, Cris Oliveira desenvolve um método de ensino personalizado voltado ao aprimoramento da comunicação escrita e oral. Atua na preparação de estudantes para vestibulares altamente concorridos, provas discursivas e concursos públicos, além de apoiar profissionais e empresários no desenvolvimento da escrita estratégica. Seu trabalho une técnica, repertório, pensamento crítico e fortalecimento da confiança, com resultados em aprovações para instituições como USP, FGV, Insper e Santa Casa.

Site: https://tudodetexto.com.br

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