Em um mercado artístico cada vez mais competitivo e em constante transformação, a empresária Mariana Nogueira consolidou-se como um dos nomes mais respeitados do agenciamento artístico no Brasil. À frente da BT Arts Produções, ela construiu uma trajetória sólida, marcada pela capacidade de identificar talentos, desenvolver projetos e estruturar carreiras duradouras para artistas de diferentes gerações.
Seu diferencial está justamente na combinação rara entre sensibilidade artística e visão empresarial. Mariana conhece profundamente os dois lados do mercado, o da arte e o dos negócios, o que lhe permite conduzir a carreira de seus agenciados com precisão estratégica, leitura de cenário e uma compreensão humana das complexidades que envolvem a profissão artística. Essa capacidade de transitar com naturalidade entre a criatividade e a gestão tornou-se um dos pilares de sua atuação e explica, em grande parte, a solidez das trajetórias que ela ajuda a construir.
Da televisão ao empreendedorismo
A trajetória de Mariana começou ainda muito jovem. No início da década de 1990, ela ganhou projeção ao integrar o grupo Angelicats, assistentes de palco da apresentadora Angélica, experiência que marcou profundamente a sua formação profissional.
Mais do que uma participação televisiva, aquele período revelou traços que se tornariam centrais em sua carreira: organização, olhar para produção e interesse pelo funcionamento dos bastidores da indústria do entretenimento. Ainda adolescente, Mariana já participava ativamente da dinâmica do programa, colaborando na organização de quadros e no suporte à equipe.
Paralelamente, buscou formação artística ao cursar Artes Cênicas na extinta Universidade da Cidade, no Rio de Janeiro. Foi nesse período que seu perfil empreendedor começou a se destacar. Em um projeto inspirado nas obras de Molière, ela e alguns colegas levaram o teatro a dezenas de escolas do estado, realizando apresentações em pátios e auditórios para jovens que, muitas vezes, nunca haviam assistido a um espetáculo teatral A experiência reforçou uma percepção que se tornaria central em sua carreira: talento artístico, por si só, não basta, pois é preciso estratégia, produção e gestão para transformá-lo em trajetória sólida.
A construção de uma agência de referência
A transição definitiva para o lado empresarial ocorreu de forma natural. Um dos primeiros passos aconteceu quando a atriz Bianca Castanho, colega de faculdade, foi escalada para a novela “Terra Nostra” e precisou de alguém para ajudá-la a organizar a sua carreira. Mariana aceitou o desafio, e ali começou a sua trajetória no universo do agenciamento artístico.
Ao longo dos anos, essa vocação se consolidou até a fundação, em 2013, da BT Arts Produções, agência que rapidamente se tornou referência no setor. Hoje, o casting da empresa reúne nomes de grande relevância nacional, como Paolla Oliveira, Marcello Novaes, Heloisa Périssé, Ícaro Silva, Ana Furtado, Juliana Silvestre, Monique Alfradique e Boninho, entre outros artistas.
A construção de um casting sólido e relevante nunca foi resultado de escolhas aleatórias para Mariana Nogueira. À frente da BT Arts Produções, a empresária desenvolveu um olhar estratégico para identificar talentos e compreender o potencial de cada carreira, equilibrando sensibilidade artística e visão de mercado. Para ela, o ponto de partida é sempre a convicção no talento e na postura profissional de cada artista. “Meu primeiro critério é simples: eu acredito no talento desse artista? Eu gosto de artistas empreendedores, que têm iniciativa e vontade de construir uma carreira. A relação precisa ser de confiança e parceria”, afirma.

Reinventando carreiras na era digital
Há mais de vinte anos atuando no agenciamento artístico, Mariana Nogueira acompanhou de perto as transformações profundas que marcaram o mercado do entretenimento. Entre elas, a ascensão das redes sociais e das plataformas digitais, que redefiniu a forma como os artistas constroem visibilidade, se comunicam com o público e desenvolvem suas carreiras. “Antigamente, um ator que estava no ar em uma novela já tinha uma agenda intensa de eventos, campanhas e presenças pelo país. Com as redes sociais, tudo mudou. Hoje, o artista precisa pensar em sua comunicação de forma estratégica”, explica.
Nesse novo cenário, Mariana destaca que plataformas como o Instagram passaram a desempenhar um papel central na construção de imagem e na geração de oportunidades profissionais, abrindo espaço tanto para artistas consagrados quanto para novos talentos. Para ela, o segredo está em compreender a lógica dessas plataformas e utilizá-las com planejamento, responsabilidade e visão estratégica.
Da gestão de carreira à produção de conteúdo
Nos últimos anos, a empresária também expandiu a sua atuação para a criação e produção de projetos autorais em teatro, cinema e televisão. A decisão nasceu de uma inquietação profissional: depender exclusivamente de convites externos limitava o potencial de seus artistas. “Eu sempre pensei: por que esperar que alguém pense no meu artista? Podemos criar os nossos próprios projetos”, destaca.
Esse movimento resultou em produções relevantes. Entre elas está o filme “Narcisa”, protagonizado por Paolla Oliveira e produzido em parceria com a Urca Filmes, que conquistou o prêmio do júri popular no “Festival do Rio”, em 2025. Outras iniciativas incluem o espetáculo teatral “Ícaro and The Black Stars”, com Ícaro Silva, e o show comemorativo de 20 anos da personagem “Floribella”, estrelado por Juliana Silveira, além do programa de viagens “Passeio Completo”, apresentado por Ana Furtado.
Para Mariana, produzir projetos com os seus próprios artistas permite ampliar as possibilidades criativas e fortalecer as suas trajetórias.
Conexões internacionais
Nos últimos anos, a empresária passou a dividir o seu tempo entre Brasil e Portugal, ampliando assim a sua atuação internacional. Nesse contexto, tornou-se embaixadora da Ribeiro Santo, uma renomada produtora de vinhos da região do Dão.
O trabalho envolve a criação de conteúdo e estratégias de comunicação para a marca, além de fortalecer as conexões culturais e comerciais entre os dois países. “Portugal também é a minha casa. Trabalhar com vinho me permite mergulhar ainda mais na cultura portuguesa e transformar ideias em histórias”, afirma.
Excelência como princípio
Ao longo de sua trajetória, Mariana Nogueira construiu uma reputação guiada por um princípio claro: não se acomodar com o mediano. “Meu nome é a referência mais importante que tenho. Sempre busquei construir um escritório onde fosse bom trabalhar e onde os negócios fossem conduzidos com responsabilidade”, conta. Essa filosofia também orienta as escolhas profissionais de seus artistas. Para ela, campanhas publicitárias e projetos precisam ter autenticidade, um artista deve representar apenas aquilo com que realmente se identifica.
Mais do que uma empresária, Mariana se define como uma pessoa comprometida com a construção de trajetórias. “Eu durmo e acordo pensando na carreira dos meus artistas. Tenho profundo respeito por cada um deles”, ressalta. Em uma indústria cada vez mais dinâmica e competitiva, a sua trajetória mostra que o sucesso no entretenimento vai além do talento: exige visão estratégica, capacidade de adaptação e compromisso permanente com a excelência.

Entrevista com Mariana Nogueira
REDAÇÃO – Você começou a sua trajetória como Angelicat no programa da Angélica e hoje é um dos principais nomes do agenciamento artístico no Brasil. Quais foram os aprendizados mais decisivos nessa transição da arte para o lado empresarial?
MARIANA NOGUEIRA – Eu acho que nasci artista e empreendedora. Quando fui Angelicat, que foram os anos mais especiais da minha vida, eu fiz uma família e já gostava muito do trabalho de produção. Em pouco tempo, eu já colocava as crianças para dentro do estúdio, escolhia para as brincadeiras, escrevia todas as fichas da Angélica, com as coisas que ela tinha que falar no programa, aquelas fichas dos artistas com as atrações musicais na época. Isso tudo com 15 anos recém-feitos. Quando estava na faculdade de Artes Cênicas, que eu fiz na extinta Universidade da Cidade, Rio de Janeiro, já sabia que o meu maior desejo era dirigir, produzir… montamos um trabalho sobre as obras de Moliére. Ficou tão incrível que consegui vender o espetáculo para 30 escolas do estado. A gente levou teatro para jovens que nunca tinham tido a oportunidade de ver um espetáculo na vida. Fazíamos no pátio das escolas, em meio aos alunos, em auditórios ou onde dava. Era incrível! Com tudo isso latente dentro de mim e com o entendimento que eu tinha desse meio da arte, sempre foi muito natural pensar nas estratégias dos artistas para a construção de uma carreira.
Tudo começou com uma grande amiga e parceira da faculdade, a Bianca Castanho. Ela passou num teste para fazer a novela “Terra Nostra” e não tinha ninguém para ajudá-la. Daí veio o primeiro convite para cuidar de uma carreira. O que eu aprendi desde o início de tudo é que esse meu trabalho tem que ser feito com dedicação, com um olhar sempre lá na frente, com disciplina, com amor à arte e estratégia; saber que devemos acompanhar as mudanças e buscar a renovação sempre. Ser um bom parceiro dos seus parceiros e, acima de tudo, não ser vaidoso. O artista é a estrela e eu sou uma operária da arte.
REDAÇÃO – À frente da BT Arts Produções, você construiu um casting com nomes de grande relevância nacional. Qual é o seu critério estratégico na escolha e no desenvolvimento de talentos?
MARIANA NOGUEIRA – Eu tenho grandes nomes no meu casting, sim. Assim como tenho artistas em cujo potencial acredito e, portanto, invisto nesses talentos. O meu critério número um é me perguntar: eu acredito no talento desse artista? Eu adoro o artista empreendedor, que tem sangue nos olhos. A troca entre a gente e a escuta são fundamentais. Acima de tudo, é muito importante para mim que o artista me escolha e confie que a BT Arts sabe representá-lo bem. Nós somos uma equipe e só assim, trabalhando juntos, que ficamos cada vez mais fortes. É lindo ver o caminho de cada um ser construído de acordo com a personalidade e as escolhas individuais. Eu tenho que ter uma estratégia diferente para cada artista, pois eles são pessoas e talentos distintos.
REDAÇÃO – O mercado artístico mudou radicalmente com a ascensão do digital e das novas plataformas. Como você reposiciona artistas consolidados para que continuem relevantes em um cenário cada vez mais fragmentado?
MARIANA NOGUEIRA – De fato o mercado mudou demais. Antigamente, o artista, só por estar numa novela, já trabalhava demais. E os trabalhos eram desfiles, presenças, campanhas de moda pelo interior do país, bailes de debutantes e grandes campanhas publicitárias pra tv. Olha, era muita coisa. Na novela “Avenida Brasil”, eu tinha no meu casting os três galãs jovens do momento. Eu fechava baile de debutante todos os fins de semana. Era uma loucura! Com a chegada das redes sociais, principalmente o Instagram, o mercado foi mudando numa velocidade impressionante. E, cada vez mais, tudo começou a acontecer ali. As grandes campanhas de TV hoje são muito poucas. Por outro lado, é uma plataforma muito mais democrática, onde o pequeno, o médio e o grande influenciador têm os seus trabalhos. Além disso, há espaço para mostrar o seu talento. Ela se tornou uma plataforma poderosa com contratos de milhões. Ali é um lugar de atenção, de construção, de comunicação, e precisamos ter estratégias de ação pensadas com muita responsabilidade e com conhecimento do funcionamento.
REDAÇÃO – Além do agenciamento, você vem investindo fortemente na criação e produção de projetos em teatro, cinema e streaming. O que motivou essa expansão e como você enxerga a verticalização do negócio artístico?
MARIANA NOGUEIRA – Dentro de toda a minha inquietude, tem uma coisa que sempre me incomodou: esperar que um diretor ou um produtor de elenco pensasse no meu artista. Aí, comecei a fazer o meu caminho acontecer diferente. Passei a produzir coisas em parceria com os meus artistas, desenvolver ideias com produtores amigos, criar e colocar no mercado. Eu acredito que todo artista é multitalentoso. Hoje, temos muitas janelas disponíveis para desenvolver ideias, seja no cinema, TV, em podcasts, no teatro ou nas redes sociais. Com tudo isso, temos um mercado muito interessante e atrativo para colocar as ideias em prática. Ter ideias e vê-las sair do papel é o movimento que mais me deixa feliz. Eu amo ser uma realizadora! Amo os novos movimentos! Eu já tive que estudar muitas mudanças ao longo desses 26 anos de trabalho: desde a moda até as redes sociais, a chegada dos streamings e a evolução artística dos atores, com mudanças de rotas na carreira de alguns. O mais legal é todo esse movimento constante!
REDAÇÃO – O filme Narcisa, produzido em parceria com a Urca Filmes e protagonizado por Paolla Oliveira, venceu o prêmio do júri popular no “Festival do Rio”, em 2025. O que essa conquista representa para a sua atuação como produtora e estrategista de carreira?
MARIANA NOGUEIRA – Nesse projeto, eu e Paolla somos produtoras associadas. A Urca Filmes, que é dos meus grandes amigos Eduardo Albergaria e Léo Edie, trouxe esse roteiro, e fomos juntos nesse projeto. Já estávamos pesquisando algo artisticamente novo, num lugar diferente, e esse roteiro veio cheio de nuances. É um filme de gênero muito bem estruturado. Tivemos a alegria de, já nessa primeira parceria, ganhar esse prêmio tão bacana no Festival do Rio! As parcerias seguem. Agora, com a Formata e Cosimo Valério, eu e Paolla estamos numa série sobre violência doméstica. Fizemos uma pesquisa dura, na qual entrevistei mais de dez vítimas, juízes, a major Endie, de Petrópolis. Uma dura realidade! Produzir com os meus atores é delicioso e faz com que essas carreiras caminhem também com o olhar e as escolhas artísticas deles. Com o Ícaro Silva, fomos sócias no espetáculo “Ícaro and The Black Stars”, um sucesso no teatro! Com a Juliana Silveira, produzi, dirigi e fiz o figurino do show de 20 anos da “Floribella”. Levantamos tudo em 20 dias, uma maratona! Mas foi lindo! Todos os teatros por onde passamos ficaram lotados; foi uma grande catarse. Com a Ana Furtado, produzi e fiz roteiro do programa de viagem dela, “Passeio Completo”, que vai ao ar no TLC. Isso tudo é o meu trabalho em movimento, fazendo a carreira e o talento dos meus artistas.
REDAÇÃO – Você vive atualmente entre o Brasil e Portugal e se tornou a embaixadora da renomada produtora de vinhos Ribeiro Santo. Como essa atuação internacional amplia as suas oportunidades de negócio e networking no setor cultural?
MARIANA NOGUEIRA – Portugal também é a minha casa, e o vinho é uma grande paixão. Eu conheci o Carlos Lucas (enólogo e produtor da Ribeiro Santo e Quinta das Heredias) em Lisboa, em um evento que a Monique Alfradique (também minha atriz) trabalhou como apresentadora. Logo fiquei muito amiga da família. Hoje, sou contratada da marca como Embaixadora e como criadora de conteúdo das redes deles. Fico muito feliz em saber que consegui aumentar muito as vendas deles no Brasil, principalmente do Encruzado, um vinho branco especial da região do Dão. Criar os conteúdos deles me faz mergulhar cada vez mais na cultura do vinho e de Portugal. Eu adoro fazer parte desse time! Nas Heredias, temos uma quinta de mais de 500 anos, no Douro, produzindo um vinho do Porto da melhor qualidade e um espumante divino! Esse trabalho me faz colocar a criatividade em atividade diariamente. Eu sou apaixonada por transformar as ideias em histórias.
REDAÇÃO – Em um mercado altamente competitivo, você afirma que não flerta com o mediano, apenas com a excelência. Como essa filosofia influencia as suas decisões empresariais e a construção de marcas pessoais de longo prazo?
MARIANA NOGUEIRA – Desde o início da minha carreira, eu tinha algumas certezas. Eu sabia que meu nome era a referência mais importante que eu tinha na minha vida; sabia que gostava de cuidar de pessoas. Eu queria que o meu escritório fosse uma referência de bons negócios, que fosse sempre bom e produtivo trabalhar com o meu time. E a base de escolha dos trabalhos para os meus artistas na publicidade seria: só anunciar o que se usa ou usaria. Só assim seria feito com verdade. Eu sou completamente viciada em trabalho, em trabalho bem-feito. Sempre digo aos meus atores: o artista, quando não está trabalhando, não está de férias. Então, sempre temos que estar no movimento do trabalho. Ser um bom colega de trabalho, ser profissional, essa é a busca da excelência do trabalho. Os trabalhos são escolhidos com cuidado, analisando todos os pontos. A cada momento, o motivo da escolha pode ser diferente, mas ela é sempre feita com muita responsabilidade e análise.
Eu preciso deixar aqui o meu muito obrigada a todos os talentos que já passaram por mim, aos que estão comigo há 20, 23, 25 anos! E aos que chegaram há pouco tempo. Eu durmo e acordo pensando na carreira de vocês. Obrigada por confiarem em mim nessa caminhada! Eu tenho profundo respeito por cada um de vocês!


