Quanto custa um ataque cibernético? O mito da tecnologia como solução isolada expõe fragilidade nas empresas

0
4

Especialistas alertam que prejuízo vai além do financeiro e defendem abordagem estratégica para reduzir riscos no ambiente digital

O real impacto de um ataque cibernético em uma empresa é na maioria das vezes, subestimado. Embora o debate público costume se concentrar em números (que podem chegar a milhões de reais em perdas diretas), especialistas apontam que o custo real vai muito além: envolve danos reputacionais, paralisação de operações, perda de clientes e até consequências jurídicas.

Na prática, o valor de um incidente digital não se resume ao resgate pago em casos de ransomware ou ao custo de recuperação de sistemas. Há uma cadeia de efeitos que incluem interrupção de receitas, quebra de confiança no mercado e aumento de despesas com resposta emergencial. Em setores regulados, o impacto pode ser ainda maior, com multas e sanções associadas à exposição de dados sensíveis.

Apesar desse cenário, muitas empresas ainda tratam a segurança como um problema técnico isolado, um equívoco que, segundo especialistas, contribui diretamente para o aumento da vulnerabilidade.

Para Luiz Henrique de Paula Paiva, diretor comercial da Shield Security e profissional com mais de 25 anos de experiência em tecnologia e cybersegurança, esse é um dos principais mitos que ainda persistem no mercado.

“A tecnologia é essencial, mas sozinha não resolve o problema. Segurança não é ferramenta, é estratégia. Quando a empresa acredita que basta comprar uma solução, ela cria uma falsa sensação de proteção”, afirma.

Segundo Paiva, um dos erros mais comuns é a adoção de múltiplas ferramentas desconectadas, sem uma visão integrada de risco. Esse modelo, além de ineficiente, dificulta a identificação de ameaças e aumenta o tempo de resposta em caso de incidentes.

“O que vemos na prática são ambientes complexos, com várias soluções que não conversam entre si. Isso gera lacunas. E é justamente nessas lacunas que os ataques acontecem”, afirma o especialista.

O executivo destaca que o custo de um ataque está diretamente ligado ao nível de maturidade da empresa em segurança. Organizações que investem em governança, processos e monitoramento contínuo tendem a reduzir significativamente os impactos tanto financeiros quanto operacionais.

Outro ponto crítico é a falta de alinhamento entre áreas técnicas e executivas. Para Paiva, decisões relacionadas à segurança ainda são, em muitos casos, restritas à TI, quando deveriam fazer parte da estratégia corporativa.

“Quando a liderança não entende o risco, o investimento fica desalinhado. A empresa reage depois do problema, quando o custo já é muito maior. Segurança precisa estar na mesa de decisão, junto com finanças e estratégia”, afirma.

A evolução do ambiente digital com a expansão da computação em nuvem, do trabalho remoto e da mobilidade também contribui para ampliar a superfície de ataque. Nesse contexto, o controle baseado apenas em perímetro de rede se torna insuficiente, exigindo abordagens mais sofisticadas, centradas em identidade e comportamento.

Para o especialista, a mudança de mentalidade passa por entender que segurança é um processo contínuo, e não um projeto com início, meio e fim. Para ele, não existe solução definitiva. O que existe é um ciclo de melhoria contínua. Empresas que encaram segurança dessa forma conseguem antecipar riscos e responder com mais eficiência.

Ao longo da carreira, Paiva liderou projetos de grande escala em empresas de diferentes setores, com foco em proteção de dados, infraestrutura crítica e gestão de riscos. Sua experiência reforça a percepção de que o diferencial competitivo está menos na tecnologia em si e mais na forma como ela é aplicada.

“O investimento certo não é o mais caro, é o mais bem estruturado. Quando a segurança é tratada como estratégia preventiva, ela protege o negócio, reduz perdas e fortalece a confiança do mercado”, conclui.

Diante de um cenário cada vez mais desafiador, a tendência é que empresas passem a rever suas abordagens, abandonando a ideia de soluções isoladas e adotando modelos mais integrados. Afinal, o verdadeiro custo de um ataque cibernético não está apenas no que se perde, mas também no que poderia ter sido evitado.

Luiz Henrique de Paula Paiva é diretor comercial da Shield Security e especialista em cybersegurança, com mais de 25 anos de experiência em tecnologia da informação e governança de riscos. Ao longo da carreira, construiu trajetória sólida liderando projetos estratégicos para grandes empresas no Brasil e na América Latina, com foco em proteção de dados, infraestrutura crítica e gestão de identidades. Com passagem por empresas como ISH Tecnologia e BS Tecnologia, destaca-se pela atuação na integração entre tecnologia e negócios, desenvolvimento de parcerias com fabricantes globais e liderança de equipes de alta performance. É também palestrante em eventos relevantes do setor, abordando tendências em segurança digital, complexidade de riscos e transformação tecnológica.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui