
Em Genebra, o representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, no Afeganistão, Tajudeen Oyewale, trouxe a público dados alarmantes sobre a situação humanitária no país.
Atualmente, 3,7 milhões de crianças sofrem de desnutrição aguda, sendo que 1 milhão enfrenta a forma mais severa e fatal da condição. Calcula-se que 83% desses casos severos se concentrem em bebês com menos de dois anos de idade.
Quatro crianças desnutridas para cada leito
Nos hospitais, os leitos estão lotados, sendo que, no sul, recebem-se até quatro crianças desnutridas para cada leito disponível, destaca o novo relatório “Muito pouco, demasiado tarde”, em tradução livre.
Unicef atua nas 34 províncias afegãs fornecendo suprimentos terapêuticos e apoio comunitário
Metade das crianças afegãs vive em extrema pobreza alimentar, consumindo diariamente alimentos de, no máximo, dois grupos nutricionais. Em muitos lares, a primeira refeição sólida de um bebê de seis meses é pão molhado no chá ou iogurte diluído em água.
A crise é multiplicada por secas severas, inundações repentinas provocadas pelo intenso fenômeno El Niño e pelo retorno de mais de 6 milhões de refugiados ao país desde 2023. A situação sobrecarrega ainda mais os serviços básicos de saúde.
Internações por desnutrição grave
Mesmo com o aumento dramático da procura por ajuda humanitária, o auxílio enfrenta um gargalo financeiro crítico. As internações por desnutrição grave subiram 33% em relação ao ano passado.
Apelo urgente requer fundos imediatos para conter avanço da fome severa entre menores
Mais de 100 centros de atendimento nutricional foram fechados recentemente por falta de verbas. O programa de nutrição do Unicef no Afeganistão precisa de US$ 180 milhões este ano, mas recebeu apenas 22% desse valor.
O representante da agência no país, Tajudeen Oyewale, ressaltou que não se deve esperar que uma criança esteja perigosamente magra em uma cama de hospital para intervir. Ele conclama uma ação imediata para salvar vidas, afirmando que a prevenção é infinitamente mais eficaz do que tentar reverter um quadro extremo.
Com parceiros, o Unicef atua nas 34 províncias afegãs fornecendo suprimentos terapêuticos e apoio comunitário, mas alerta que, sem fundos internacionais flexíveis e imediatos, milhões de outras crianças não terão como se recuperar.
Fonte ONU


